A alegria que o futebol concede vai dar alento aos ucranianos

A alegria que o futebol concede vai dar alento aos ucranianos

DE SALTO NA BOLA - Opinião de Sónia Carneiro

"Falei com o nosso presidente, Volodymyr Zelensky, sobre o grande poder do futebol para ajudar as pessoas a pensar no futuro, porque todos estão focados na guerra. Por isso, tomámos a decisão com o presidente de retomar o campeonato ucraniano em agosto", revelou Andriy Pavelko, presidente da federação ucraniana de futebol, em entrevista à agência Associated Press (AP).

E se os carateres de um artigo de opinião nos limitassem a um parágrafo, eu não usaria mais do que uma interjeição e limitar-me-ia a escrever: UAU!

O poder do futebol é algo que é inexplicável para a Humanidade.

Como é possível que algo tão grande e tão absolutamente pacificador e agregador possa ser tão maltratado por tantos.
Em plena guerra, com uma crescente perda de território e de vidas, sobretudo de vidas, o presidente que se transformou já num herói planetário, acedeu ao pedido dos dirigentes do futebol e, pelo que parece, as três primeiras ligas de futebol masculino e a primeira liga de futebol feminino vão ter o seu arranque ao mesmo tempo que as demais na Europa em paz.

Seguramente, muitas vão ser as questões a rodear esta decisão e, como habitualmente, muitas serão as críticas ao grande eucalipto que é o futebol: e os outros desportos? Os jogos vão ser na Ucrânia? Durante o jogo não serão um alvo apetecível para os ataques russos? Se alguém se lesionar, há hospitais? Quem faz a segurança nos recintos desportivos? A polícia? Os militares? Mas esses não deviam estar a combater e a defender o que ainda restar do território? Os profissionais de outros ramos estarão na frente de batalha? Os médicos? Os advogados? Os engenheiros? Por que razão os jogadores de futebol terão tratamento especial?

Estas e outras questões vão infernizar o cérebro de alguns, mas a alegria que o jogo concede vai seguramente dar alento a muitos outros.

Se há algo que nos ajuda a esquecer todas as maleitas da vida são, sem dúvida, aqueles 90 minutos de magia. O resto... vai sempre ser só o resto. Até mesmo uma dolorosa, injusta e sanguinária guerra.