Premium Era preciso assumir o risco

Um texto de opinião de Sérgio André.

O Benfica vive um dos piores períodos da era Vitória, com três derrotas consecutivas que o fazem resvalar para o quinto lugar. A situação ganha uma dimensão maior se pensarmos que estes resultados surgem numa época em que o FC Porto, campeão nacional, teve um arranque tímido e coleciona azares pelo meio, como a lesão prolongada de Aboubakar, e o Sporting tenta reerguer-se de uma crise diretiva e desportiva sem paralelo, com a perda de jogadores nucleares como Rui Patrício ou William Carvalho.

Ambos estão à frente do Benfica.

E se, aqui e ali, o treinador das águias até se pode queixar do desacerto na finalização, nesta ronda, apesar das oportunidades criadas, não será por aí que Rui Vitória deve encontrar explicações para o insucesso.

Perante o quadro (horroroso) que estava a viver contra o Moreirense na última sexta-feira, com três golos sofridos em 36", por que razão não mexeu imediatamente na equipa? Por que razão não passou para dentro de campo um sinal de revolta? Porquê esperar pelo intervalo para tentar encontrar uma solução e não agir de pronto?

E esse será porventura um dos principais problemas de Rui Vitória: a reação perante as contrariedades. O treinador das águias, uma vez mais, não assumiu o risco. Faltou-lhe de novo coragem e melhor leitura dos acontecimentos. Aliás, como aconteceu em muitos outros jogos esta época. É que em mais de 50 substituições efetuadas - nos 18 jogos oficiais, com quatro derrotas e quatro empates pelo meio -, apenas por duas vezes estas resultaram em pleno (AEK e Sporting), ou seja, tiveram efeito decisivo; as restantes pouco ou nada influenciaram o rumo dos acontecimentos.

Há dois anos, por exemplo, diante do Boavista, também no Estádio da Luz, os encarnados perdiam por 3-0 aos 25", Mitroglou entrou aos 38" e reduziu. O Benfica completaria o resultado (3-3) já na segunda parte. Aí, Vitória pisou o risco e era preciso, como agora com o Moreirense.