Premium Um conflito sem fim à vista

O Sporting não precisa de um messias, de um salvador ou de um investidor; precisa, sim, de competência e liderança.

O Sporting entrou numa espiral de conflitualidade sem fim à vista. O conflito com as claques não augura nada de bom para o clube, embora tenha de ser dito alto e bem claro que são inaceitáveis todos e quaisquer comportamentos violentos por parte de sócios e adeptos do clube e que jamais esta ou qualquer Direção pode ficar refém de um qualquer grupo de adeptos. Os GOA são parte do clube, devem ser ouvidos, têm direito a criticar e a manifestar o seu desagrado com os resultados desportivos do clube, contudo não são um contrapoder e não podem condicionar a vida associativa do clube com recurso à intimidação e violência. Mas se isto é verdade, não é menos verdade que as claques do clube contribuíram em muitos momentos para que as equipas do clube tivessem apoio em todos os recintos do país. Neste conflito fratricida, é impossível alguém sair vencedor. E não há inocentes, pois que a instrumentalização destes grupos por Direções e oposição ajudou a criar o monstro que já não cabe na Casinha da JL.

Sendo esta a epiderme de um problema bem mais profundo, não creio que seja possível o clube continuar muito mais tempo neste clima de permanente instabilidade, incapaz de definir e construir um rumo que possa reunir um amplo consenso no clube. Andamos há anos a discutir pessoas e não ideias, afundando o clube em equívocos, falta de estratégia e de liderança. A cada ano que passa estamos mais longe do sucesso, aumentando o fosso para os nossos rivais. É um declínio penoso e perigoso, que tem de ser invertido antes que seja tarde demais. Acima de tudo, corremos o risco de perda de identidade, levando a uma inevitável quebra de militância e capacidade de atrair talento para o clube. O risco de desenraizamento de uma parte da massa adepta do clube é real e tem de ser combatido. Hoje em dia interrogo-me quem é o profissional de sucesso que está disponível para arriscar a sua carreira em Alvalade. E sem talento, estabilidade, planeamento e uma estrutura altamente profissional, não existem condições para o sucesso.