Premium Turbulência e militância

Samuel Almeida

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Compreende-se o forcing final de Frederico Varandas: a emissão obrigacionista é de extrema importância.

Esta foi uma semana atribulada no universo leonino. Começou com a detenção do anterior presidente Bruno de Carvalho, em mais um espetáculo deprimente em termos mediáticos e do que deveria ser a justiça num Estado de direito. Seria bom, aliás, que o Ministério Público e a PGR se pronunciassem publicamente sobre os motivos que levaram à detenção para interrogatório de Bruno de Carvalho, ou por que motivo não foi requerida a ampliação do prazo de inquérito invocando a especial complexidade do caso. O mediatismo e a justiça popular nunca foram bons conselheiros, sobretudo num clube cheio de pequenos ódios e vinganças de natureza pessoal.

Desconhecendo em absoluto os contornos do processo, não posso deixar, ainda assim, de ficar satisfeito com o facto de o anterior presidente do clube não ter ficado preso em prisão preventiva. Desde logo, porque tal é sinónimo de ter funcionado o sistema judicial e o Estado de direito. As medidas privativas da liberdade devem ser a última ratio e apenas aplicadas em circunstâncias excecionais, todas elas tipificadas na lei. Como advogado, fico satisfeito que no Barreiro houve um magistrado que não cedeu à pressão mediática. Goste-se, ou não, de Bruno de Carvalho são as nossas liberdades e garantias que estão em causa e têm de ser defendidas por todos os agentes da justiça. Dito isto, aguarde-se, pois, com serenidade o decurso do processo e qual a prova carreada e obtida pelo Ministério Público para deduzir a acusação. E, já agora, pede-se celeridade, pois o clube precisa definitivamente de encerrar no baú das suas memórias os episódios de Alcochete e o período turbulento vivido no final da última época desportiva. O encerrar deste capítulo passa, igualmente, pelos sócios se pronunciarem de forma clara em dezembro sobre as penas de suspensão aplicadas aos últimos órgãos sociais, ratificando ou revogando as penas de suspensão aplicadas. Importa que todos os sócios e adeptos do clube percebam os riscos reais de fragmentação e divisão do clube que ainda subsistem. E importa, igualmente, que todos nos pronunciemos de forma clara sobre o clube e valores que pretendemos. As próximas AG não são fundamentais para Frederico Varandas, mas sobretudo para o próprio clube.