Premium A Supertaça do Bruno

A saída de Bruno Fernandes pode transformar-se na operação de mercado mais decisiva para o futuro imediato do Sporting.

No momento em que escrevo estas linhas já me encontro no Algarve, ansioso pelo pontapé de saída da nova época e com a forte expectativa do Sporting arrecadar mais um troféu, o que seria o quarto nas últimas duas épocas. Hoje joga-se mais um dérbi e ambos os clubes já começaram a ganhar pelo discurso de ambos os treinadores numa iniciativa de louvar da FPF. Que a rivalidade nunca decresça, mas que se abram as portas para uma nova geração de dirigentes capazes de vencer sem recurso a jogadas de bastidores, polémicas estéreis ou manobras no limiar da legalidade, mas certamente eticamente reprováveis. O futebol português não tem de continuar a ser este lamaçal de alianças mal explicadas, jogos de empréstimos e pouca transparência que coloca em causa a integridade das competições. É bom o exemplo de Keizer e Lage, mas não chega. Basta olhar para a transferência de Cádiz de Setúbal - um clube aflito de dinheiro - para a Luz e a sua imediata cedência para perceber que muito há para mudar. Ou quase tudo diria. Estou plenamente convencido que esta será a Supertaça de Bruno Fernandes, por vários motivos. Desde logo pela sua influência no jogo do Sporting e no condicionamento do adversário. Por outro lado, é provável que seja o último jogo de leão ao peito e o capitão leonino quererá sair pela porta grande e deixar a sua marca no relvado do estádio do Algarve. Caso a minha intuição se confirme, a saída de Bruno Fernandes pode transformar-se na operação de mercado mais decisiva para o futuro imediato do Sporting e o próprio mandato de Frederico Varandas. Ele há jogadores assim, que marcam o curso da história.

A Frederico Varandas e seus pares colocam-se dois desafios. Por um lado, realizar uma venda que seja capaz de ressarcir o clube e demonstrar inequívoca capacidade negocial e presença no mercado, e por outro, a capacidade de ir ao mercado e contratar jogadores de inequívoca categoria e margem de progressão. Keizer já percebeu isso mesmo e já veio a terreiro afirmar que 70 milhões de euros é barato por um jogador desta categoria. Talvez por isso o clube devesse ter montado uma estratégia de valorização deste extraordinário jogador. O mercado não mede apenas o valor real de um jogador, mas também o seu potencial e qualidades como a liderança. Em Alvalade continua a comunicar-se pouco - ainda que com evidentes melhorias nos tempos recentes - e claramente não se investe de forma visível na valorização dos ativos existentes. Dost é um bom exemplo disso mesmo, pois nada foi feito para afastar a perceção pública que o jogador se tornou num problema. Pode ser caro, mas marcou 100 golos em três épocas e jamais poderá um jogador destes sair ao desbarato. Começa, pois, aqui o desafio de Varandas, para vender Bruno o negócio terá de ser absolutamente irrecusável, sobretudo depois do clube ter pago ao seu empresário para regressar a Alvalade a época passada.