"Na televisão do clube ou no bar, precisamos de tratar mal outrem?

"Na televisão do clube ou no bar, precisamos de tratar mal outrem?
Rui Barreiro

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"Não defendo nenhuma lei da rolha, mas era necessário, depois da saída de Octávio Machado e das suas declarações, alimentar mais essa questão?", pergunta o cronista d' O JOGO.

A minha primeira referência vai para um sportinguista, ex-dirigente do nosso clube, que nos deixou esta semana. José Filipe Nobre Guedes honrou o Sporting com a sua dedicação enquanto dirigente, entre 2006 e 2013, tendo sido mesmo presidente interino entre a saída de José Eduardo Bettencourt e a entrada de Luís Godinho Lopes. Quem privou com ele realçava várias qualidades e lembrava o seu sportinguismo. Infelizmente, foi um dos que foi atingido pela saga de manchar sportinguistas, que aconteceu no Sporting recente. À família e amigos deixo a minha sincera homenagem e a esperança que o seu sportinguismo possa ser sempre realçado e se possa rapidamente fazer justiça a quem se dedicou ao seu clube.

A extraordinária arte de nunca conseguir estar calado tem sido apresentada como tão bem sabe esse familiar do militar de Abril que neste verão quente não diria que "é só fumaça". Em vez de trabalharmos internamente e deixarmos os outros com os seus problemas e comportamentos, somos nós que alimentamos a nossa polémica interna. Não defendo nenhuma lei da rolha, mas era necessário, depois da saída de Octávio Machado e das suas declarações, alimentar mais essa questão? E ficarmos todos a saber que aquele teria sido uma terceira escolha, mas ainda assim uma escolha de quem dirige os destinos do nosso clube?

Sabemos que a ofensa e a menorização carregada de adjectivação desnecessária que não prestigiam ninguém e muito menos o nosso clube pode ser apreciado por alguns. A opinião é, de facto, e ainda bem, uma possibilidade que Abril nos deu. Será necessário continuar a falar sobre ex-profissionais? Bem ou mal, fizeram o que sabiam e podiam e certamente que tentaram ajudar o nosso clube. Pela minha parte, gostaria que esta época pudesse começar com serenidade, confiança e bom ambiente, externa e internamente. Infelizmente começamos com divisões desnecessárias e a bola ainda não rola a sério. A ofensa nas redes sociais não deixa de ser ofensa. Seja na televisão do clube ou no bar da esquina, precisamos de tratar mal outrem? Basta ler alguns dos comentários que começaram a surgir depois das declarações de Octávio Machado e do actual presidente para perceber que, apesar de um acto eleitoral recente, de promessas de alterações e de melhorias, tudo continua na mesma. Vamos lá vibrar com o Podence e companhia e deixar o lado negro do futebol.

Escrevo antes do nosso jogo de apresentação. Espero que o nosso Sporting entre e dê a esperança que os sócios e adeptos precisam. E já que os que deviam dar o exemplo não o fazem, pelo menos que técnicos e jogadores consigam fazer o que almejamos sempre. Ganhar dentro do campo é cada vez mais importante para todos. Afinal, o essencial é o Sporting. Sei que há quem não pense assim. Paciência. Não me revejo em quem trata mal consócios, em quem ofende ou menoriza ex-colaboradores, sejam eles funcionários, dirigentes, técnicos ou jogadores. Para mim, o desporto em geral, e o futebol em particular, não deve servir para ajustar contas com a sua incapacidade de viver em sociedade. Que não sejamos "anjinhos", nem "passarinhos", mas aproveitando o que diz o meu amigo António Sousa Duarte, deixemos a indecência e procuremos a excelência. Que a busca da qualidade se estenda aos comportamentos. Ou será pedir demasiado?

Rui Barreiro assina o espaço Pensar Sporting nas edições de domingo d' O JOGO