Liderar com humildade é possível

Liderar com humildade é possível
Rui Barreiro

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Vi o resumo do jogo e as perguntas que ficam no ar são simples: quantos dos jogadores cedidos pelo nosso clube, no início da época, não serviriam para evitar contratar jogadores que não "vingaram" e que estão de saída?

Liderança e Gestão de Equipas foi o tema das Conversas a Sul, organizadas pela Ordem dos Engenheiros. O convidado desta "conversa" foi o nosso selecionador nacional, Fernando Santos. Homem afável e simples, com excelente sentido de humor apesar do seu ar carrancudo, esteve muito bem a responder às questões de António Laranjo e do público, essencialmente engenheiros. Um bom jantar, descontraído e com companhia de benfiquistas, portistas, muitos sportinguistas e alguns adeptos de outros clubes denominados pequenos. Todos na mesma sala, juntos, para ouvir o homem que nos tornou felizes. A humildade de Fernando Santos ficou demonstrada na importância atribuída a outros pelo seu sucesso. Mostrou que é possível liderar e gerir com sucesso mesmo sendo humilde e fazendo dessa característica o seu verdadeiro segredo na ligação aos seus jogadores. Excelente noite em que o Futebol pôde mostrar o seu lado humano e em que nos sentimos bem por gostar desse desporto que arrasta multidões, mas que tem alguns lados mais negros e que ocupam tempo demais. A beleza das jogadas, dos golos, das fintas e dos toques é muitas vezes menorizada para hipervalorizar comportamentos violentos e antidesportivos dentro e fora das quatro linhas. Não consegui ver o Moreirense-Benfica, mas obviamente que gostei do resultado final e da intervenção dos jogadores emprestados pelo Sporting. Algumas das questões colocadas no pós-jogo eram sobre o que teria acontecido entre Rui Vitória e Inácio no final. Será que os golos de Dramé e as assistências de Podence e Geraldes não deviam ser o tema principal? Ou de como um clube de orçamento reduzido consegue ganhar a um grande do nosso futebol? É também por isto que o futebol tem encanto e mostra que ter um grande orçamento não é sinónimo de ganhar, pelo que é importante que também os jornalistas valorizem mais os artistas e a beleza do futebol em detrimento dos comportamentos menos correctos e que só realçam o lado negro deste belo desporto. Para nós Sportinguistas este jogo entre Moreirense e Benfica é também um bom motivo de reflexão. Vi o resumo do jogo e as perguntas que ficam no ar são simples: quantos dos jogadores cedidos pelo nosso clube, no início da época, não serviriam para evitar contratar jogadores que não "vingaram" e que estão de saída? Preparar uma época implica fazer escolhas e tomar decisões, de quem foi a responsabilidade pelas saídas dos nossos jogadores? Era bom que isso fosse explicado aos sócios e que se assumisse a responsabilidade de quem tomou essas decisões de dispensas e contratações. Contratamos muito e mal e cedemos jogadores que podiam fazer muito melhor, prova-se agora, olhando para Belenenses, Vitória de Setúbal e Moreirense. Nada tenho contra o empréstimo de jogadores que precisam de competir para crescer, de preferência no nosso campeonato, mas já tenho mal a dizer quando o que se contrata é inferior em talento, entrega e ao que se "empresta". Marco Silva, um dos jovens treinadores portugueses que o meu clube não soube aproveitar, entrou muito bem em Inglaterra. Confesso que fico satisfeito com as boas prestações do Hull. Mas já que se fala em potenciais treinadores para o Sporting, aqui fica a minha sugestão: Rui Jorge, excelente técnico e que sabe valorizar os jovens jogadores, para além de ter envergado a nossa camisola sempre com uma entrega e um profissionalismo acima de qualquer suspeita. Fica a nota sobre quem seria a minha primeira escolha.

Em campanha eleitoral está o Sporting. Apesar de ainda não terem sido entregues as listas, todas as declarações e aparições mostram que o tema é mesmo esse. Tenho acompanhado, dentro do possível, a campanha do candidato que vou apoiar, porque a do outro concorrente não traz nada de novo e já não acredito em qualquer mudança prometida ou qualquer medida agora anunciada e não concretizada nestes quatro anos. Nesse acompanhamento assisti a um momento baixo de um comentador com intenção de voto já formulada e ligação forte e solidária ao actual presidente a prestar um mau serviço ao tratar um candidato à presidência do Sporting de uma forma inaceitável. Nem sei como me surpreendi depois do que lhe ouvira dizer sobre Marco Silva. Felizmente acredito que se possa mudar e trazer uma lufada de ar fresco, com gente capaz e com comportamentos adequados, respeitando consócios e adversários. Precisamos de um novo Sporting, com padrões de vitória e de bom senso. Que a campanha possa esclarecer os sócios e que o Sporting fique melhor. Escrevo antes do jogo com o Paços. Convém melhorar o nosso registo dos últimos jogos. Força!