Um país que está a (re)despertar para o basquetebol

Um país que está a (re)despertar para o basquetebol
Rui Alves

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Que ninguém diga que o basquetebol não está na moda. Estudos recentes colocam a modalidade no top da popularidade, logo a seguir ao futebol, o que é absolutamente extraordinário. O basquetebol está connosco no dia-a-dia, cada vez mais, através de anúncios publicitários, de referências em livros e desenhos animados, em perguntas nos quizzes televisivos e até no cenário da garagem do "Programa da Cristina" podemos ver um cesto de basquetebol pendurado

A imprensa escrita desportiva vai dando o espaço e a visibilidade possível, com as modalidades não-futebol a lutarem entre si pelas últimas páginas das versões em papel, mas, felizmente, com as edições online a compensarem com um pouco mais de informação. Nas televisões vão proliferando os programas de debate, que já nem de futebol são, mas sim de uma espécie de confronto entre (três) clubes. Ainda assim, a transmissão regular de jogos de basquetebol em quatro canais - RTP, Eleven Sports, FPBtv e Sporttv - tem ajudado e muito à promoção do jogo. Falta talvez um esforço-extra para cativar ainda mais público que, na minha opinião, passa por criar programas/magazines da modalidade, mesmo que em conjunto com outras; e por melhorar as antevisões dos jogos, as flashes e reportagens no final, pois parece evidente que quanto mais as pessoas conhecem o jogo mais se apaixonam por ele.

Para mim, o último exemplo da fantástica popularidade atual do basquetebol em Portugal, em associação com o crescente poder das redes sociais, foi a eleição de Vladyslav Voytso, jogador do FC Porto, como "Jovem do Ano" da FIBA Europe Cup, competição europeia com 36 clubes participantes, alguns deles nomes de peso da modalidade do nosso continente. É que Voytso, luso-ucraniano de 19 anos, foi eleito pelos adeptos a partir de uma votação online e conseguiu arrecadar 2043 votos (23,6%), superando assim as jovens estrelas dos clubes finalistas da prova: Joshua Obiesie (21%) do Wurzburg (Alemanha) e Ousmane Diop (18,6%) do campeão Dínamo Sassari (Itália). Se atendermos aos números modestos da participação de Voytso, que terminou a prova com médias de 1,4 pontos, 1,4 ressaltos e 1,4 assistências por jogo, em 12,7 minutos jogados de média, então parece claro que a votação foi essencialmente dos seus adeptos por cá.

Quero deixar claro que, com estas palavras, não quero retirar nenhum valor ao jogador. Vlad já leva 64 internacionalizações no seu currículo, desde sub-16 que brilhantemente representa a nossa seleção, e há já quem sonhe ver a dupla Voytso-Neemias Queta a "partir tudo" no Campeonato da Europa de Sub-20 (Divisão B) que vai acontecer em julho, em Matosinhos. Se olharmos para os números estatísticos do Europeu anterior, em Sofia (Bulgária), esta dupla foi responsável, em média acumulada, por 23 pontos e 14,3 ressaltos por jogo, cumprindo ambos o primeiro ano do escalão. E por falar em Neemias Queta, é já esta semana que marca presença no "Combine", em Chicago, com mais 65 promessas que se mostram às equipas da NBA, com o Draft de 20 de junho no horizonte.

Rui Alves, treinador de basquetebol