Liga Feminina de Basquetebol: as últimas contas da fase regular, o play-off e um lamento

Liga Feminina de Basquetebol: as últimas contas da fase regular, o play-off e um lamento

Primeira fase do principal campeonato feminino em Portugal está concluída e houve quem fosse de calculadora na mão para a derradeira jornada. Segue-se o play-off, mas a época peca por ser curta

Num fim de semana em que arrancou a segunda fase da Liga Portuguesa de Basquetebol, em que se viveu a euforia da March Madness com três portugueses envolvidos, em que houve um escaldante Real Madrid-Barcelona na Liga ACB, deixo-vos umas linhas acerca... da nossa Liga Feminina de Basquetebol (LFB). Não é consequência de qualquer lei ou pressão de paridade, trata-se apenas de uma referência mais do que justa a uma prova que teve ontem o final da sua fase regular, com vários clubes de calculadora na mão.

A primeira nota vai para o grande equilíbrio que o campeonato teve ao longo das 22 jornadas. Um exemplo demonstrativo disso são as quatro derrotas do primeiro classificado, o Olivais de Coimbra, que depois de ter conquistado a Taça de Portugal há três semanas, aponta agora baterias para a vitória na Liga, que lhe escapa desde 2008/09. Em segundo lugar ficou a União Sportiva, campeã em título e que na derradeira jornada beneficiou da derrota da Quinta dos Lombos (3.º) e conseguiu assim subir um posto no ataque ao play-off. GDESSA (4.º) e Vagos (5.º) já tinham um lugar seguro nos 8 primeiros.

O apuramento dos restantes três lugares que dão acesso à fase seguinte teve de ser decidido por calculadora, pois, no final, quatro equipas estavam empatadas em vitórias/derrotas e uma teve de ficar de fora - CAB Madeira (9º). Curiosamente, as madeirenses estavam em 6.º à entrada para a última jornada, mas largaram esse posto para o Vitória de Guimarães, com quem perderam em casa 61-80.

Quem também perdeu foi o Benfica, mas, tendo em conta a diferença de pontos, ficou em 7.º. A última vaga de play-off foi para o estreante Carnide, que, ao vencer a Quinta dos Lombos, vai intrometer-se nesta luta com muito mérito.

Quanto às classificações que ninguém deseja, os da despromoção, o Boa Viagem dos Açores já tinha esse destino traçado (12.º) e o CAD Coimbra e a Ovarense lutaram até ao fim pelo 10.º lugar, acima da linha de água. O triunfo da Ovarense em casa com o Vagos e a derrota do CAD no reduto do vizinho Olivais ditou a sentença: as vareiras ficam na LFB em 2019/20.

Dizem os especialistas que no play-off pode haver surpresas, nomeadamente na série entre Quinta dos Lombos e Vitória de Guimarães, pois o bom momento das vimaranenses (finalistas vencidas da Taça de Portugal) contrasta com o momento menos positivo da equipa de Carcavelos, também fruto de lesões de algumas das suas jogadoras influentes. O duelo GDESSA-Vagos não tem igualmente vencedor antecipado. Os jogos Olivais-Carnide e Sportiva-Benfica parecem ter favoritos mais definidos, mas já sabemos que em play-off tudo se decide em dois ou três jogos. Portanto, tudo pode acontecer.

Como nem tudo são rosas, não posso terminar sem deixar este lamento. Pese embora todo o esforço que um conjunto de pessoas tem feito para melhorar, credibilizar e promover esta Liga, e isso é de louvar, talvez o mais importante ainda esteja por fazer, que é, na minha opinião, que esta não seja uma competição com a duração de seis meses, numa época de sete, seguidas de umas férias de cinco. Não me venham com comparações com a NCAA ou WNBA... Aqui não há cultura nem condições de trabalho para uma verdadeira off-season, pois as jogadoras estrangeiras já foram embora, as portuguesas que têm a sorte de ir às seleções também vão, as sub-19 ainda fazem mais um mês e as outras, com sorte, vão-se inscrever num ginásio à espera que setembro chegue outra vez.

Rui Alves, treinador de basquetebol