A bancada da Taça de Portugal de basquetebol

A bancada da Taça de Portugal de basquetebol

Local da final a 8, horários dos jogos e entradas pagas deram que falar na Taça, que foi conquistada pelo FC Porto

O FC Porto venceu a 70.ª edição da Taça de Portugal masculina de basquetebol, uma vitória justa numa final muito bem disputada com a campeã Oliveirense, que não conseguiu levar para casa o seu terceiro troféu da época (após vitórias na Supertaça e Taça Hugo dos Santos).

Nesta temporada, os três "grandes" foram andando numa espécie de jogo "pedra, papel, tesoura": o Benfica vencia Oliveirense e perdia com FC Porto, que, por sua vez, perdia com a equipa de Oliveira de Azeméis. O resultado de ontem faz com que, à data, todos já tenham perdido e ganho entre si, o que deixa antever um resto de campeonato muito interessante. E arredado da discussão da Taça, sem chegar sequer às meias-finais, graças à competente Ovarense, o Benfica acaba de nomear Carlos Lisboa para substituir Arturo Álvarez no comando técnico da equipa.

Mas a Taça também deu que falar, principalmente nas redes sociais, pelas cadeiras vazias de público na Portimão Arena, visíveis em algumas fotos e nos planos de realização das TV's presentes.

Portimão é Cidade Europeia do Desporto 2019 e decidiu, sendo consciente que possuía as condições necessárias e aceitando o caderno de encargos de um conjunto de despesas, lançar candidatura ao acolhimento do evento. Dirão os lisboetas que a Taça deveria ter sido jogada na capital, mais perto (deles), pois é onde há mais população. E porque não em Aveiro? É um distrito que respira basquetebol e com quatro clubes na Liga que arrastam sempre adeptos para as bancadas. E a centralidade geográfica de Coimbra? E o interior? E as ilhas? Tantas vezes esquecidos e afastados destes palcos...

Apetece-me assim perguntar: porque não em Portimão? Se tem a maior sala de espetáculos a sul do Tejo (talvez demasiado grande) com condições ótimas para praticar basquetebol e tem oferta de alojamento e alimentação de qualidade a uma curta distância da instalação desportiva. Porque o mais importante é mesmo proporcionar as melhores condições a jogadores e treinadores para que as equipas se possam apresentar na máxima força mesmo deslocadas do seu habitat natural. É importante um bom hotel, que garanta os requisitos necessários para o repouso e recuperação dos atletas, com capacidade e flexibilidade horária em termos de alimentação e que tenha uma sala de reuniões apropriada. É igualmente importante um bom pavilhão, que dê a possibilidade às equipas de treinar e preparar os jogos; e o ideal é gastar o menos tempo possível em deslocações entre os dois espaços.

Outra crítica lida foi a dos horários dos jogos, nomeadamente na quinta e sexta-feira. Neste aspeto em particular penso que há duas premissas essenciais: respeito pela equidade que o quadro competitivo deve proporcionar entre equipas e respeito pelo esforço dos jogadores. Depois então poderá pensar-se nas audiências, pois cada vez são mais as pessoas que acompanham pelas transmissões televisivas e, por fim, na afluência do público local. Se invertêssemos estas prioridades, então eu diria que um jogo devia ter sido às 16h00, com a autarquia a recolher alunos das escolas do concelho para "pintar" a imagem da bancada num jogo entre duas equipas da ilha Terceira. O segundo jogo talvez tivesse que começar lá para as 22h30, depois do prolongamento do Benfica-Dínamo de Zagreb em futebol. Não parece sensato, pois não?

Por fim, também se falou das entradas pagas e dos preços dos bilhetes. Não é uma situação nova, nem na Taça de Portugal, nem nos jogos da Liga em alguns pavilhões, e que seguramente não impediu ninguém de ir, se tivesse mesmo vontade em assistir ao vivo. Normalmente, e parece que foi o caso, o valor angariado reverteu a favor do clube local, que normalmente explora também o serviço de bar, sendo uma espécie de contrapartida pelo apoio e envolvimento no evento. A verdade é que para assistir, por exemplo, a teatro, cinema, circo ou futebol, não se paga apenas três euros e nem sempre se dá o tempo por tão bem empregue.

Daqui a pouco mais de três semanas será o Municipal de Albufeira a estar a rebentar pelas costuras no All Star Game da Liga Placard e Liga Feminina e aí o problema parece-me que vai ser o inverso.

Rui Alves, treinador de basquetebol