Fecho do mercado no basquetebol: vale a pena trocar?

Fecho do mercado no basquetebol: vale a pena trocar?

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Quinta-feira é o limite do prazo para a substituição de jogadores na Liga Portuguesa e Liga Feminina, sendo este um dos momentos mais críticos da época

Estamos na semana em que fecha o mercado no basquetebol. Até à próxima quinta-feira, clubes da Liga Portuguesa (LPB) e Liga Feminina (LFB) podem fazer as derradeiras alterações e trocas, pois, a partir de março, as equipas ficam blindadas até final da temporada, independentemente do que possa acontecer. Mesmo em caso de doença ou lesão, nenhum clube poderá inscrever mais nenhum jogador, tornando assim este momento como um dos mais críticos da época.

Época que tem sido particularmente agitada em termos de transferências, quer em termos de jogadores de formação nacional, quer em termos de estrangeiros. Salvo algum erro de contagem, já aconteceram nove trocas de estrangeiros na LPB e 16 na LFB. E parece que não vão ficar por aqui. É um número significativo e que merece reflexão. O "scouting" prévio à contratação terá sido eficiente? Foram criadas todas as condições de adaptação aos atletas? Foi dado tempo a treinadores e atletas para estes atingirem o rendimento esperado? São as dúvidas que ficam, às quais se soma a questão económica, pois a troca de um jogador estrangeiro normalmente acarreta custos e, como em quase tudo, quem menos recursos possui, sai sempre mais prejudicado. Assim, a decisão de trocar um jogador ou trabalhá-lo até obter rendimento não é nada fácil. Conforme referimos anteriormente, a inscrição para jogadores de formação nacional também fecha, embora a janela mais aproveitada tivesse sido entre os dias 15 e 31 do passado mês de dezembro, quando o regulamento permitiu transferências de jogadores entre equipas que disputam o mesmo campeonato.

Os treinadores conhecem o modelo de Bruce Tuckman (1965) para o desenvolvimento grupal e sabem que a cada entrada de um elemento novo recomeça o ciclo composto por quatro fases que se podem resumir assim: forming (comportamento algo individualista em que cada jogador aceita os objetivos mas procura o seu espaço), storming (quando aparecem as discussões e conflitos), norming (divergências individuais resolvidas pela tolerância e objetivos de equipa comuns) e performing (grupo estabilizado, competente e autónomo). Outra questão associada são os papéis de cada jogador na equipa... O que pensará o meu base se eu for contratar um outro jogador para a mesma posição? A competição que se irá gerar entre eles, por minutos de jogo e por protagonismo, irá beneficiar ou prejudicar a equipa na busca dos seus objetivos? Quando pensamos em jogadores estrangeiros há um peso suplementar em tudo isto, pois habitualmente são os líderes estatísticos das suas equipas, espera-se que sejam os mais profissionais e normalmente são os que auferem melhores salários.

Assim, com os dois pratos da balança bem preenchidos, há que pesar muito bem se vale a pena trocar ou não. Os jogadores são as células das equipas e se forem melhores as equipas também o serão... Mas sabemos que nem sempre é assim... Vai daí que esta é mais uma vertente onde o papel de treinadores e dirigentes é fundamental para o sucesso de uma equipa.

Rui Alves, treinador de basquetebol