Cinco motivos para amar a Festa do Basquetebol Juvenil, outros cinco para detestar jogos All Star

Cinco motivos para amar a Festa do Basquetebol Juvenil, outros cinco para detestar jogos All Star

Albufeira é a capital do Basquetebol por estes dias ao receber mais uma edição da Festa do Basquetebol Juvenil. Evento que vai na 13.ª edição e é, a todos os títulos, impressionante. Mas o que se esperava que fosse a cereja no topo do bolo é, para mim, uma boa ideia com uma realização infeliz: os jogos All Star da Liga masculina e feminina

Vamos então olhar para o que de melhor tem esta Festa:

1. A Festa marca para sempre quem nela participa, independentemente de ser jogador, treinador, árbitro, voluntário ou outro qualquer que viva a experiência. Por um lado, tem a vertente competitiva ao ser um campeonato nacional inter-seleções distritais e, por outro, há a componente social como se de uma espécie de viagem de finalistas se tratasse, mas sem comportamentos desviantes, não fosse o basquetebol uma escola de virtudes e de saber estar.

2. A grandeza da Festa é avassaladora: 864 atletas (sub-14 e sub-16) em representação de 70 seleções. São disputados 198 jogos em 8 campos, usando 6 pavilhões. 156 juízes, 25 diretores de campo, 44 estatísticos e 24 fisioterapeutas. São cerca de 8500 dormidas, 15000 refeições e um cheque de 2852 euros para o Centro de Apoio ao Sem Abrigo - Núcleo de Albufeira, no âmbito do programa basquetebol solidário. A Festa começa logo na viagem, com o já mítico comboio da Festa, que serve de meio de transporte à maioria das comitivas.

3. A Festa é local de encontro e de partilha entre todos os agentes da modalidade. Cada pausa nos jogos é muito bem rentabilizada com momentos de formação e iniciativas várias que fomentam o debate, o convívio e a troca de experiências. Também os familiares marcam presença em elevado número... qualquer jogo de sub-14 tem mais público na bancada que no último Benfica-FC Porto na Luz.

4. Num país profundamente assimétrico esta Festa é sinónimo de equidade entre litoral e interior, entre Ilhas e Continente, entre Norte e Sul. E, muito antes de ser moda isto da igualdade de géneros, já a Festa tratava todas e todos com o mesmo respeito e carinho.

5. Só não vê a Festa quem não quiser, pois a cobertura por parte do canal online da Federação é total. Além dos jogos, há também entrevistas e conteúdos associados ao evento que, tudo somado, lhe dão uma excelente visibilidade. Cada vez são mais as empresas que começam a ver a Festa como uma oportunidade de negócio e os seus stands trazem também animação à zona envolvente.

Não consigo manter este discurso positivo e de elogio quando penso na realização dos jogos All Star masculinos e femininos calendarizados a meio do evento. E resumo porquê:

1. O timing para os jogos All Star não podia ser pior. A Liga Placard está na segunda fase da competição, carregada de jornadas duplas, e é obrigada a interromper uma semana por este jogo. No caso da Liga Feminina ainda é pior, pois as equipas mais fortes estão na fase decisiva de play-off, enquanto outras... até já terminaram a época há umas semanas.

2. A seleção dos jogadores foi feita por votação dos treinadores e capitães das equipas. Se eu acredito que os treinadores utilizem apenas critérios de qualidade nas suas escolhas, já sou mais cético quanto aos capitães pois, nestas votações, os jogadores são muitas vezes influenciados pelas amizades e pelas vontades dos colegas em participar ou não, condicionando assim a constituição das equipas. É certo que a seleção não podia ser por graduação de MVP, pelo menos no masculino, senão à data, pela estatística oficial da competição, não havia nenhum português nos 24 escolhidos.

3. Os clubes mais competitivos não gostam que os seus jogadores participem, pois são ativos importantes que devem estar focados na competição nacional e não devem correr o risco de se lesionarem. E um evento desta natureza precisa do compromisso dos clubes para ter sucesso. É que depois surgem situações desconfortáveis de jogadores eleitos que solicitam a sua dispensa por lesão e entretanto andam no clube a jogar 30 minutos por partida...

4 Depois há o "velho" argumento das referências. No masculino, por exemplo, dos 24 jogadores que disputaram o All Star em 2018, apenas 5 jogaram o de 2019. Ou seja, a imagem que passamos aos jovens é que as suas potenciais referências, maioritariamente estrangeiros, no próximo ano já cá não estarão...

5. Por último, os jogos propriamente ditos. A média de pontos marcados por uma equipa da Liga Feminina ao longo do campeonato foi de 66,2 pontos. No jogo All Star foi de 77 (o Norte bateu o Sul por 84-70). No masculino, a diferença é ainda maior... Passámos dos 80,9 pontos de média na Liga Placard para uns "fantásticos" 117 no jogo All Star (vitória dos sulistas por 126-108). Acho que está tudo dito!

Rui Alves, treinador de basquetebol