Aí está a fase do "agora é a doer" na Liga Portuguesa de Basquetebol

Aí está a fase do "agora é a doer" na Liga Portuguesa de Basquetebol
Rui Alves, treinador de basquetebol

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Campeonato está na reta final, arrancando as meias-finais do play-off esta quinta-feira. Uma fase a eliminar pode não premiar a regularidade, mas a emoção até ao fim e jogos em série entre as equipas de topo estão garantidos.

Agora é a doer. Esta é a expressão que melhor pode caracterizar o futuro imediato da Liga Portuguesa de Basquetebol cujas meias-finais arrancam já quinta-feira. Numa meia final, temos a campeã Oliveirense que vai disputar com a Ovarense a passagem à final, naquele que é o dérbi dos dérbies. Na outra e não menos escaldante, temos o clássico dos clássicos, Benfica-FC Porto. Coincidência, ou talvez não, é que estas foram as quatro primeiras classificadas nas duas primeiras fases do campeonato. Portanto, não só foram as melhores na regularidade, como também mostraram o seu poder no arranque do play-off, ao terem eliminado os respetivos adversários da primeira ronda por contundentes 3-0.

Mas agora é a doer. O sistema de play-off assim o dita. A incerteza é grande e é preciso recuar até à época 2014/15 para encontrar um campeão que tivesse sido também o primeiro classificado nas fases regulares anteriores ao título atingido na final do play-off. Se, por exemplo, olharmos para a I Liga de futebol, percebemos que a decisão do título apenas na última jornada, conforme assistimos no passado sábado, é uma exceção.

Na verdade, neste século, aconteceu apenas por seis vezes, pois o "normal" é o campeão sê-lo matematicamente uma ou mais jornadas antes do fim. Melhor? Pior? Não há dúvida que esse sistema premeia a regularidade acima de tudo, o que não deixa de ser inteiramente justo, mas tem o senão de se poder perder a emoção antes do fim e de haver apenas dois jogos entre as equipas de topo. Assim, ao contrário do basquetebol, é um formato competitivo que não inclui o "agora é a doer".

Quem não é indiferente a esse sentimento, de que agora é a doer, são os jogadores. Deixo como exemplo atual Stephen Curry, campeão em título com os Golden State Warriors da NBA, e que é considerado o melhor lançador de lançamentos livres na história da competição. Mas, o mais curioso, é que ele leva um recorde de 79 lançamentos livres consecutivos convertidos nos quartos períodos e prolongamentos dos jogos de play-off. Não falhar um lance livre, em momentos que são a doer, desde a final do play-off de 2015, é absolutamente extraordinário. O simples facto da análise estatística em basquetebol, nos diferentes campeonatos, distinguir as performances das fases regulares das do play-off, por si só já indicia que há jogadores de momentos e para momentos.

Quem habitualmente não se revê no "agora é a doer" são os treinadores. Mesmo numa fase de competição a eliminar, em que os resultados passados não contam para a classificação, pensar apenas em presente e futuro representa a negação de todo o trabalho que foi desenvolvido e de tudo o quanto foi construído ao longo de uma época. Os treinadores sabem que o sucesso de amanhã depende do trabalho sistemático que pode levar meses e que não pode ser desprezado ou desvalorizado.

Até que ponto pode pesar o facto da Ovarense nunca ter conseguido ganhar à Oliveirense nas fases anteriores, nem em Ovar, nem em Oliveira de Azeméis? E as vitórias que Benfica e FC Porto conseguiram na casa do rival não serviram de nada? Cada lançamento, cada passe, cada drible, cada exercício, desde o treino número um da época... tudo conta! Tudo acrescenta! Tudo prepara! Mas que agora vai ser a doer, ai isso vai.