Regresso do desporto: são precisas decisões urgentes!

Regresso do desporto: são precisas decisões urgentes!
Pedro Sequeira

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Pedro Sequeira, vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal, membro da comissão de métodos da Federação Europeia de Andebol, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e professor coordenador de Ciências do Desporto em Rio Maior, opina em O JOGO sobre a atualidade desportiva

A sociedade portuguesa parece adaptar-se à pandemia. Apesar de aqui e ali sermos confrontados com alguns excessos para além do razoável, a verdade é que as medidas de desconfinamento vão sendo introduzidas lentamente desde o passado dia 18 de maio.

Todos os dias surgem opiniões, dúvidas e estudos sobre os passos que devemos seguir. Seja via Governo, DGS, Organização Mundial da Saúde ou Especialistas de diversas áreas, certezas não há muitas nas decisões tomadas. Diria mesmo, que há apena um ponto comum: como garantir a segurança e saúde dos cidadãos e ao mesmo tempo tentar que a economia não colapse.

Percebo que estas questões sejam uma preocupação de quem tem de tomar decisões nos diferentes níveis. Já não percebo, no entanto, porque em diferentes áreas, onde há situações semelhantes, o tratamento comece a ser diferenciado. Deixo aqui para refletirem: num espaço aberto ou fechado de grandes
dimensões o número de pessoas tem de ser limitado e garantido o distanciamento social, já num avião podem estar todos sentados lado a lado e essas regras já não são necessárias...

O desporto precisa de decisões. Mais do que decisões, o desporto preciso de se organizar (e ser organizado), precisa de planear, precisa de dar confiança aos atletas, treinadores, dirigentes e famílias. O desporto precisa de preparar "a continuação da sua vida". Isso não se faz num dia, numa semana ou num mês. Há instalações que é necessário eventualmente adaptar, há a necessidade de contactar Câmaras Municipais, patrocinadores, diversas outras entidades. É necessário que as Federações Desportivas comecem a divulgar o planeamento anual, os quadros competitivos, os regulamentos, os apoios aos clubes.

É necessário que os clubes comecem a planear a sua época e a contactarem os treinadores, atletas e restantes agentes desportivos. É necessário os árbitros e juízes saberem quando a época começa para articularem a sua atividade profissional com a atividade como árbitros/juízes. E, finalmente, é necessário que os atletas e os treinadores saibam quando podem regressar ao que mais gostam de fazer: dedicar-se à sua modalidade!

Não há modalidades mais importantes nem modalidades menos importantes, não há clubes mais famosos nem clubes menos famosos, não há federações e dirigentes mais importantes nem federações e dirigentes menos importantes. O que há é desporto! No seu todo! E o desporto necessita de decisões para rapidamente se organizar e preparar.

Todos são importantes para contribuíram para as decisões finais. Não é momento de protagonismo nem de protagonistas. Nem de ressabiamentos ou de amuos. O desporto tem de falar a uma só voz. Só assim conseguirá transmitir e realçar que face à importância que o desporto a nível social, educativo e de saúde tem na nossa sociedade não pode continuar sem decisões. Os governantes e as entidades ligadas às decisões na área da saúde não podem continuar mudas relativamente ao desporto no seu todo. Mas a
bola também está no lado do todo do Desporto. Vamos!