Quintana: o verdadeiro herói

Pedro Sequeira, vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal, membro da comissão de métodos da Federação Europeia de Andebol, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e professor coordenador de Ciências do Desporto em Rio Maior, opina em O JOGO sobre a atualidade desportiva

Escrever este artigo é um misto de emoções. É o tema que eu preferia não escrever, mas também é o tema que eu não podia deixar de escrever. Não podia deixar de o fazer porque não quero esquecer-me do Quintana. Não quero que ninguém nunca se esqueça do Quintana.

O Quintana representa tudo de bom do ser humano: simpático, afetivo, humilde, brincalhão e sempre disponível para tudo e para todos. Enquanto jogador de andebol foi sempre um profissional exemplar: empenhado, dedicado, aplicado, motivado e em constante superação. O Quintana transmite os valores pessoais e profissionais fundamentais para a nossa sociedade. Deixa esse legado imprescindível para que o nosso Mundo possa ser melhor, com os valores mais importantes que podemos ter enquanto seres humanos.

A família, os colegas de equipa e de seleção, os adversários, os amigos tiveram o privilégio de testemunhar isto tudo, a toda a hora, em todos os dias, durante várias semanas, meses e anos. Eu não tive. O meu contacto com o Quintana foi sempre enquanto vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal. Nos estágios em Rio Maior em que pude estar presente (antes da pandemia) tinha sempre uma forma educada de me cumprimentar e trocar breves palavras comigo.

Nos finais dos jogos da Seleção Nacional a mesma coisa. Sempre a mesma postura, a mesma simpatia e respeito. Os últimos quase cinco anos foi sempre assim. Nem quero imaginar que vou deixar de ter estes breves momentos com o Quintana, nem imagino como será com aqueles que lidavam com ele diariamente.

Mas temos que preservar tudo o que ele foi, e é. Os Guarda-redes vão continuar a aprender a defender à Quintana, os jogadores de campo vão continuar a ter que treinar a ultrapassar os guarda-redes à Quintana (tarefa dificílima), todos vão querer empenhar-se como ele faria, todos vão querer ouvir dizer "até pareces o Quintana".

É assim que o andebol vai continuar a ter o Quintana. É assim que o andebol vai continuar a evoluir. E acredito que toda a sociedade portuguesa e internacional queira ser como o Quintana pois assim seremos todos melhores pessoas.

Quanto ao título deste artigo: os verdadeiros heróis nascem assim. Não se promovem. São reconhecidos por todos por aquilo que são e não por aquilo que tentam ser. São genuínos.

Obrigado por me teres ensinado muito da vida Quintana. Vou continuar a aprender contigo.