Federações e clubes: chegou a sua hora

Federações e clubes: chegou a sua hora
Pedro Sequeira

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Pedro Sequeira, vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal, membro da comissão de métodos da Federação Europeia de Andebol, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e professor coordenador de Ciências do Desporto em Rio Maior, opina em O JOGO sobre a atualidade desportiva

No passado dia 28 de junho fui convidado pelo clube UFAD - Judo Alvor para num webinar que organizaram falar sobre o tema "Desafios dos treinadores e dos clubes durante e após o Covid-19".

Fico muito orgulhoso, enquanto pessoa do desporto, em poder colaborar com clubes e associações amadoras, com treinadores e dirigentes voluntários que dedicam o seu tempo (e a sua vida) ao desporto. Este clube é apenas um exemplo dos milhares que em Portugal contribuem para que o Desporto tenha o seu espaço na sociedade, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento de centenas de milhares de crianças e jovens (os dados mais recentes da Pordata - 2018 - referem 391052 praticantes federados nos escalões de formação).

Nessa formação partilhei um conjunto de ideias e propostas com um denominador comum: a confiança. Não sei quantas vezes repeti essa palavra durante a formação mas até um dos slides tinha lá essa palavra escrita 5 vezes. Confiança!

Nos dias que vivemos, o papel mais importante dos Clubes das diversas modalidades, é o de conseguirem criar um clima de confianças para que os jovens atletas possam vir a retomar a sua prática com segurança. Para isso acontecer, é muito importante que o Clube, com destaque para os Treinadores e os Dirigentes, tenham contacto assíduo com os Pais e Encarregados de Educação, demonstrando todos os cuidados que a retoma da prática está a ter / vai ter. As questões de higiene do espaço desportivo, os circuitos para os praticantes se deslocarem, os locais para os pais esperarem por eles, a limpeza constante dos materiais a serem utilizados, são algumas das questões que os clubes devem ir esclarecendo, sem tabus. Todos já percebemos (e compreendemos) que o regresso completamente normal ainda vai demorar, mas o regresso possível pode ser positivo se tudo for tratado com cuidado, planeado. Aqui a bola está do lado dos clubes.

As Federações Desportivas têm um papel igualmente determinante. Cabe às Federações a iniciativa da construção de materiais e manuais de apoio que ajudem os clubes na abordagem ao treino e à competição. Também é importante que as Federações vão apresentando os cenários possíveis do calendário desportivo. Planos A, B ou mesmo C ajudam os clubes a organizarem-se. Por fim a questão do financiamento. As Federações têm a obrigação de estarem muito atentas aos seus filiados e ajudarem. Nesta fase o mais importante é claramente que clubes, treinadores, praticantes e dirigentes sintam que têm apoio da sua Federação. A tal confiança é transversal em todas as áreas do Desporto.

Finalmente também de referir o papel do Estado. A saúde e o bem estar dos cidadãos são a prioridade do estado. Ninguém tem dúvidas disso. Todos queremos ultrapassar a pandemia com o menor número de danos possíveis. O estado está a empenhar-se nisso, mas também tem de acompanhar as outras áreas da sociedade e, ao nível do desporto, é determinante que vá tomando as medidas necessárias para ajudar na confiança dos intervenientes desportivos. As condições da retoma, o seu planeamento e consequente acompanhamento são os fatores principais. Tal como ao nível das Federações Desportivas, também o estado tem de ter um Plano A, B e C pois ninguém tem garantias de como vão ser os próximos meses. Difíceis certamente.

No final da ação do dia 28 o meu colega de curso e amigo Paulo Nogueira (judoca de grande qualidade no passado, atualmente treinador de judo) enviou-me mensagem a dizer "saio desta ação com mais confiança, obrigado". Eu é que agradeço Paulo! Tu e todos os treinadores em Portugal têm esse papel de transmitir confiança aos pais e praticantes. Clubes e Federações vão ajudar, eu acredito. Confiança!