Fase Final da Liga Europa Masculina é de todos e para todos

Fase Final da Liga Europa Masculina é de todos e para todos

Pedro Sequeira, vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal, membro da comissão de métodos da Federação Europeia de Andebol, membro da comissão de treino e métodos da Federação Internacional de Andebol, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e professor coordenador de Ciências do Desporto em Rio Maior, opina em O JOGO sobre a atualidade desportiva.

Uma das mudanças de paradigma que o andebol conseguiu nos últimos anos foi a da sua comunidade andebolística passar a olhar para os feitos dos clubes com praticamente o mesmo orgulho que olha para os feitos das Seleções Nacionais. Nos últimos anos as excelentes prestações do FC Porto na Liga dos Campeões, mas também as do Sporting nas duas principais competições (bom exemplo foi como todos lamentámos, recentemente, a forma como foi eliminado este ano pelo Magdeburg) são vistas como conquistas do andebol e não apenas do clube X e Y.

Não temos dúvidas que há quatro/cinco clubes que nos últimos anos almejam realisticamente puderem ser campeões nacionais. Em 11 anos, três conseguiram-no. Atualmente para se tentar ser campeão nacional é necessário um investimento considerável. E, como no final apenas um consegue ser campeão, este investimento vai sendo renovado. Esta forma de ver e investir a nível nacional tornou as equipas mais competitivas e isso está a ter resultados a nível das competições europeias, com as equipas portuguesas a conseguirem bater-se com praticamente todos os clubes poderosos da Europa. E isso tem impacto nos objetivos dos clubes (deixa o Campeonato de ser o único objetivo), aumenta a competitividade para os atletas portugueses que representam as Seleções Nacionais, exporta os atletas para outras realidades com outras condições, com retorno importante nas Seleções Nacionais e permite aos adeptos sonharem com algo que no passado era visto como missão impossível.

A chegada do Benfica à fase final da Liga Europa é um feito extraordinário do clube e da sua equipa de andebol, mas sem o contributo dos outros clubes nacionais que obrigaram o clube a investir e a tornar-se mais competitivo não teria sido possível. Temos a tendência (na minha opinião, errada) de desconsiderar os clubes pequenos do nosso campeonato. Mas hoje esses clubes têm melhorado significativamente as suas equipas, do ponto de vista da qualidade dos atletas e treinadores. Mesmo os seus orçamentos sendo infinitamente inferiores aos do Porto, Sporting e Benfica, a verdade é que a qualidade dos atletas e treinadores, bem como do aumento da quantidade e qualidade do processo de treino, obriga aos clubes com maiores orçamentos e melhores condições a terem que permanentemente darem o seu máximo. E isso cria hábitos importantes nos atletas que depois tem implicações muito positivas nas prestações europeias de clubes e Seleções Nacionais.

Aguardemos então todos ansiosos pela Fase Final da Liga Europa que se vai realizar em Portugal sabendo que muitos diretamente e indiretamente ajudaram a que o Benfica chegasse a este patamar.