Europeu de Andebol 2022 – dia 1

Pedro Sequeira, vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal, membro da comissão de métodos da Federação Europeia de Andebol, membro da comissão de treino e métodos da Federação Internacional de Andebol, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e professor coordenador de Ciências do Desporto em Rio Maior, opina em O JOGO sobre a atualidade desportiva.

As emoções no andebol continuam. Em dois anos, depois do Europeu 2020, Mundial 2021, Apuramentos Olímpicos, Jogos Olímpicos, pelo meio Campeonatos e Competições Nacionais, Competições Europeias, estamos novamente com um Europeu de Andebol à porta.

Infelizmente há algo de menos positivo que une todos estes eventos, o maldito Covid-19. As lesões sempre foram (e continuam a ser) uma maldição para os jogadores (para os árbitros também). Mas a probabilidade de lesão é, felizmente, muito inferior à probabilidade de contaminação por Covid-19. E esta nova variante é ainda mais contagiante. Na preparação para o EURO 2022 muitos treinos, torneios e jogos-treino foram cancelados pois a maioria das equipas foi tendo jogadores com testes positivos. Os treinadores nunca sabiam quantos e quais jogadores teriam no dia seguinte. As listas de 35 pré-convocados foram utilizadas quase ao seu limite. E durante o EURO, apesar dos cuidados organizativos que estão previstos, continuará a haver uma enorme indefinição pois esta Competição será já realizada com público - a 100% na Hungria, a 25% na Eslováquia.

A certeza e indefinição tomarão assim conta desta competição, tornando ainda mais difícil prever e antecipar cenários. Um jogo que à partida poderia parecer ter uma tendência maior de sucesso para uma determinada equipa pode, de repente, inverter o cenário. Se nos Europeus o equilíbrio costuma ser dominante, neste Europeu estas novas variáveis aumentarão ainda mais o grau de incerteza do sucesso das equipas.

Numa primeira análise, os "suspeitos dos costume" ao sucesso final parecem ser os mesmos: a França, atual Campeã Olímpica há poucos meses, a Dinamarca Campeã do Mundo há um ano (e medalha de prata nos Jogos Olímpicos e a Espanha Campeã da Europa há 2 anos (e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos e no Campeonato do Mundo) partem como favoritas. Muito próximo delas temos a Suécia (Vice-campeã do Mundo) a Croácia (Vice-campeã da Europa) e a Noruega (3ª classificada no último Europeu). A Alemanha é sempre uma candidata aos primeiros lugares face a continuar a ter a melhor competição de clubes da Europa e do Mundo. A inconsistência da sua Seleção torna-a uma Seleção imprevisível. Por fim temos a Hungria, que com uma Seleção renovada há poucos anos tem trilhado um caminho seguro (9ª classificada no último Europeu e 6ª no último Mundial) e a jogar em casa com um público entusiasta durante 60 minutos, será uma Seleção a ter em conta. Para nosso contentamento voltamos a ter Portugal, na quarta

competição internacional consecutiva. Para além dos apuramentos, Portugal tem conseguido posições finais interessantes. Não é fácil ficar nos primeiros 10 lugares, nem sequer é fácil apurar para a 2ª fase, mas a atual geração de jogadores que temos tem grande qualidade, mesmo os mais jovens. Se as lesões e o Covid-19 não atacarem a nossa Seleção iremos bater-nos bem com todas as Seleções. E fazendo isso o sucesso fica mais perto.