28 de fevereiro, um dia muito triste para o andebol europeu

28 de fevereiro, um dia muito triste para o andebol europeu

Pedro Sequeira, vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal, membro da comissão de métodos da Federação Europeia de Andebol, membro da comissão de treino e métodos da Federação Internacional de Andebol, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e professor coordenador de Ciências do Desporto em Rio Maior, opina em O JOGO sobre a atualidade desportiva.

Quando vamos para órgão diretivos sabemos que temos de tomar decisões. Há dois anos atrás, nas minhas funções na Direção da FAP, fui confrontado com uma pandemia. Muitas decisões foram tomadas. Certamente nem todas foram as melhores, mas não havendo base nem experiência para o que se estava a passar era necessário tomar decisões. E foram tomadas. Mas há dois anos havia uma enorme diferença: o inimigo era invisível e atacava todos. Toda a humanidade estava a ser atacada. Todas as áreas estavam a ser atacadas, incluindo o desporto. Era preciso encontrar soluções para tudo e todos.

Dois anos depois, a história é muito diferente. Ainda a tentarmos lidar com um inimigo invisível eis que um país resolve invadir outro e provocar uma guerra. Agora muitas pessoas voltam novamente a ter a sua vida em risco, mas desta vez por causa de um inimigo bem visível. Há menos de um ano fui eleito para a Direção da EHF e passado este pouco tempo sou chamado para uma reunião de urgência neste famigerado dia 28 de fevereiro para uma das decisões mais difíceis da minha vida: suspender por tempo indeterminado dois países.

Muitos dirão: mas qual a dificuldade? Face ao que estão a fazer não há dúvida nenhuma que é mais do que merecido que sejam castigados. Assim dito parece fácil. Mas infelizmente muitas das crianças, jovens e adultos que ficam impedidas de praticar a modalidade que mais gostam - o andebol - não têm culpa que o seu líder, por razões políticas (neste caso nem consigo definir bem as razões) resolva destruir os seus sonhos de uma vida normal, saudável. Muito se calhar irão perder familiares ou mesmo a sua própria vida por algo que nunca vão compreender.

Para mim a decisão era inevitável. Em defesa de quem está a ser barbaramente atacado. E a perder as suas vidas. Sim, na Ucrânia ninguém tem tempo para pensar no andebol ou em outra coisa qualquer que não seja proteger a sua vida. E isso não pode ser ignorado por quem pode fazer alguma coisa para parar com algo que tira a vida às pessoas. Queremos acreditar que medidas destas (suspender a Rússia e a Bielorrússia de toda a atividade andebolística - clubes, seleções e organização de eventos) poderão chamar à razão quem sem razão (não há justificação possível para a matança de inocentes) ataca e invade outro país.

Estou triste pois nunca pensei na minha vida ter de viver uma guerra perto de mim e de ter de participar em decisões que vão muito para lá do que é a minha paixão - o desporto, a educação e o andebol.