15º Congresso da Federação Europeia de Andebol: o que ai vem

15º Congresso da Federação Europeia de Andebol: o que ai vem

Pedro Sequeira, vice-presidente da Federação de Andebol de Portugal, membro da comissão de métodos da Federação Europeia de Andebol, presidente da Confederação de Treinadores de Portugal e professor coordenador de Ciências do Desporto em Rio Maior, opina em O JOGO sobre a atualidade desportiva

Escrevo estas linhas já na antecâmara do Congresso que se inicia esta sexta-feira. Congresso eleitorais são sempre esperados com grande doze de incerteza mas também de esperança quanto ao futuro. Este Congresso, no entanto, não é apenas mais um Congresso. Até ao Congresso, a Federação Europeia de Andebol (EHF) esteve durante dois anos a construir o Master Plan para os próximos sete anos (até 2028). Sabemos que a EHF está muito ambiciosa. Pretende que o Andebol se torne a modalidade de pavilhão mais praticada na Europa. Pretende recrutar mais jovens para a modalidade. Pretende diversificar as áreas de intervenção do andebol, com incidência nas de cariz social. Pretende apostar na quantidade, qualidade e diversidade da formação de agentes desportivos. Pretende incluir a inovação tecnológica na formação, nas competições mas também no recrutamento de novas franjas da sociedade. Por fim, e não menos importante, evoluir no conceito das suas competições e incluir os fãs nessa visão.

O projeto é ambicioso. Com a candidatura única do atual presidente, está desde já assegurado que este avançará. A equipa de profissionais da EHF e da EHF Marketing estão empenhados e alinhados com esta nova visão. As candidaturas aos diversos Conselhos e Órgãos da EHF sabem, atrever-me-ia a dizer, pela primeira vez de antemão, o que se espera dos seus contributos.

Portugal tem mais um desafio pela frente. Mas, na verdade, o caminho está já traçado. A maioria dos pilares já está em execução. Parece-me, nesta fase, que a nível interno, teremos que nos focar nos clubes e nos seus enormes problemas que vêm do passado e que a pandemia agravou, mas que demonstram enorme resiliência para ultrapassar todos os obstáculos e, no andebol feminino, que provou neste play-off para o Mundial 2021 (não esquecer que a Alemanha está no top 10 do Ranking e Portugal abaixo do 30.º) que tem qualidade humana (fruto especialmente do trabalho nos clubes) para seguir as pisadas do masculino, assim todos criemos condições para tal, com especial responsabilidade a cair na Federação - onde obviamente também tenho responsabilidades.

Será, assim, um fim de semana que poderá mudar o andebol nos próximos quatro anos. Julgo que a modalidade e os seus principais atores (os países) estão perfeitamente conscientes das oportunidades e desafios que têm pela frente.