Uma vénia ao nosso andebol, que está a viver um ano extraordinário

Uma vénia ao nosso andebol, que está a viver um ano extraordinário

Um texto de opinião de Paulo Faria, antigo internacional português de andebol e treinador

Estamos a atravessar um dos melhores momentos de sempre do andebol em Portugal, de tal modo que se torna difícil - e ainda bem -, escolher por onde começar. Depois deste grande fim de semana, começo pelos clubes e, após a fantástica campanha europeia do Sporting de Hugo canela, eliminado pelo Veszprém nos oitavos de final da Liga dos Campeões, temos ainda dois sobreviventes.

Tive a sorte de assistir ao vivo ao apuramento do FC Porto para as meias-finais da Taça EHF - apenas a segunda equipa lusa a conseguir este feito, depois do ABC de Braga, na época de 1999/2000 -, num jogo em que os azuis e brancos foram brilhantes!

Eu já era fã de Magnus Andersson no tempo de jogador (central, porque será?...) mas agora, como treinador, delicio-me a ver o crescimento destes atletas. Magnus está a transformar jogadores portugueses em jogadores de topo mundial e a fazer o FC Porto acreditar que pode, e pode, ganhar a qualquer adversário.

Para o Madeira SAD de Paulo Fidalgo, estar na final da Taça Challenge é, sem duvida, um enorme resultado, ainda por cima com todos os constrangimentos que é construir uma equipa numa ilha.
Mais, uma final europeia entre dois treinadores portugueses é outra prova da evolução, sendo o treinador principal e o adjunto da nossa seleção a decidir essa prova. Eu já tomei partido: não quero que vença o melhor, nem quero ser politicamente correto, quero que vença o Madeira SAD, por isso desejo melhor sorte ao Paulo Fidalgo.


"Quer isto dizer que pela primeira vez, temos todas as seleções nacionais jovens apuradas para os maiores torneios europeus e mundiais"

Tudo isto acontece num ano em que o ponto alto será, sem duvida, a confirmação de voltarmos às grandes competições internacionais com a nossa principal seleção, depois da histórica vitória sobre a França que o país dificilmente esquecerá.

Paulo Jorge Pereira e todos que com ele trabalharam estão indiscutivelmente de parabéns, com este momento a tornar-se ainda mais fantástico porque todas as seleções, masculinas e femininas, da formação, conseguiram o apuramento para os grandes palcos. Quer isto dizer que, pela primeira vez, temos todas as seleções nacionais jovens qualificadas para os maiores torneios europeus e mundiais, faltando a cereja no topo do bolo, que vai ser a nossa Seleção Nacional A apurar-se para o europeu de 2020.

Neste momento grandioso temos que agradecer, em primeiro lugar, aos jovens jogadores e às respetivas famílias pelo investimento que fazem ao nível de treino. Depois, devemos agradecer aos clubes, principais obreiros, aos seus dirigentes e aos seus treinadores. A Federação de Andebol de Portugal (FAP) merece igualmente o reconhecimento de todos pelo seu investimento. Uma FAP que muitas vezes é criticada pela sua inércia, mas que neste momento deve também estar orgulhosa do seu trabalho.

Espero e desejo que saibam os clubes, juntamente com a FAP, aproveitar o momento e tomar decisões que sejam benéficas para todos, diminuam o atrito e reduzam as distancias, atenuando também algumas animosidades. Eu também gostava de ser selecionador nacional, mas isso não me pode dar o direito de não apoiar o "nosso" selecionador, por isso temos todos que nos orgulhar daquilo que estamos a viver.