Como o andebol português está em alta

Como o andebol português está em alta
Paulo Faria

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Depois das brilhantes prestações das Seleções Nacionais, com o apuramento para os campeonatos mundiais e europeus de todos os escalões, masculinos e femininos, depois dos magníficos resultados das seleções sub-19 e sub-21, depois de constatarmos que a nossa equipa principal consolidou o seu jogo, a sua confiança e naturalmente nos fez crescer a ambição, tivemos este fim de semana mais um momento de crescimento histórico, com a participação de duas equipas, FC Porto e Sporting CP, na principal prova a nível de clubes, a Liga dos Campeões.

Depois de assistir aos dois jogos, dei por mim, com naturalidade, a dizer que em ambos fomos melhores, e sentir isso é reflexo de que, efetivamente, tanto FC Porto como Sporting CP têm grandes planteis.

Começando pelo FC Porto, Magnus Andersson preparou a sua equipa para um adversário que a defender 6x6 seria muito forte. Sem dúvida que o Meshkov Brest, tem uma defesa consistente e sólida, mas também não é menos verdade que em termos ofensivos deixou muito a desejar. Irá, certamente, ocupar um dos dois lugares que não dão acesso à próxima fase da Liga dos Campeões.

Mais uma vez, a jogar 6x6 o FC Porto não conseguiu criar as soluções que pretendia, e Magnus Andersson foi obrigado, mais cedo do que o costume, a utilizar o já habitual 7x6.

Ao intervalo, o FC Porto perdia por seis golos e ninguém podia dizer que o 7x6 na primeira parte não resultou. As situações foram criadas, mas a eficácia na finalização não foi alcançada, com destaque para os ponta-esquerda, Diogo Branquinho e Leonel Fernandes, que tiveram uma prestação mais baixa do que habitual.
Magnus Andersson sabia que nada podia fazer em relação a esse aspeto; manteve a ideia de jogo para a segunda parte, e muito bem na minha opinião. Com a sua experiência, soube ser paciente e obteve resultados positivos atingindo a primeira vitória.

Thierry Anti mudou o jogo do Sporting CP, sobre isso já ninguém tem dúvidas! Tenta utilizar os mesmos jogadores na defesa e no ataque, aumentou a profundidade da defesa 6:0, potenciou o rendimento de vários jogadores e marcou posição no domínio do banco e de todos os participantes na partida.

O Sporting CP de Tierry Anti passou a jogar mais rápido, com permanentes ataques rápidos, e para o fazer decidiu, e muito bem, quase anular as substituições. Para além disso fez algo com que eu concordo plenamente, a utilização de um condutor da bola nas saídas para ataque rápido. Carlos Ruesga, ao ter lugar na defesa, fá-lo de forma exemplar, lembrando os tempos em que Viktor Tchikoulaev brilhou nos anos dourados do ABC, ou noutros tempos no Sporting CP, que comigo, com Luís Gomes, Ricardo Andorinho, Armando Pires ou Kraljic o fazia com uma eficácia tremenda.

O atual Sporting CP ainda joga em inferioridade numérica, com um jogador a menos no ataque, algo já muito pouco usual a nível mundial, mas acredito que o faça por pouco tempo. Tal situação deve-se ao facto de o seu treinador ainda não ter tido tempo para se sentir confiante nos automatismos que ele considerará necessários para poder retirar o guarda-redes e assim equilibrar as ações ofensivas.

A juntar a este momento fantástico a nível de clubes, temos a presença de vários jogadores portugueses nos melhores clubes europeus. Espero que estes possam trazer para a nossa seleção e para o andebol português uma melhoria dos resultados imediatos, mas que possam também, no futuro, abraçar a carreira de treinador e dirigente e que consigam, com toda a sua experiência e conhecimentos adquiridos, influenciar, modificar e criar melhores condições para que sejamos cada vez mais fortes.

Se temos atualmente bons treinadores portugueses, alguns deles ex-jogadores internacionais, e que fizeram a sua carreira somente em Portugal, a partir de agora, e com os nossos jogadores que estão a fazer carreira nas melhores equipas europeias, teremos certamente treinadores portugueses, no futuro, com uma experiência e uma rede de contactos que irá de certeza ser positivo para o desenvolvimento do andebol.

Sei, e sabemos todos, que nem tudo vai bem no andebol português; sabemos que a maioria dos clubes está mergulhada em crises financeiras e estruturais, que não conseguem acompanhar os investimentos dos chamados três grandes, mas este assunto menos positivo terá de ser abordado num outro artigo.