Quando se fala em centralização, os mais abastados assobiam para o lado

Quando se fala em centralização, os mais abastados assobiam para o lado
Miguel Pedro

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PASSE DE LETRA - O cronista Miguel Pedro escreve sobre a atualidade do futebol português.

1 - Recentemente, a Federação Portuguesa de Futebol reuniu com a Liga e com os representantes de quase todas as SADs e clubes para apresentar um estudo que, analisando as várias vertentes relacionadas com a competitividade externa das equipas portuguesas, propõe dois cenários distintos: se houver remodelações e medidas importantes a curto e médio prazo (cenário que permitirá aumento da competitividade) ou se nada for feito. Todos concordaremos, por certo, que a competitividade das equipas portuguesas "lá fora" está muito dependente da própria competitividade das competições internas e esta é, como bem sabemos, muito baixa.

O estudo propõe quatro medidas, que passam pela reorganização das competições (mais outra...), por forma a diminuir a carga de jogos, pela valorização dos jogadores formados localmente, pela diminuição da carga fiscal e pela implementação de um modelo financeiro mais solidário. Se relativamente às três primeiras medidas o acordo de todos parece existir, já quanto à última as coisas não parecem tão pacíficas. Isto porque quando se começou a falar na centralização da negociação dos direitos televisivos (a liga portuguesa é a única que não tem os direitos centralizados), os mais abastados começaram a assobiar para o ar. Como se, nesta matéria, a conversa não fosse nada com eles...

2 - É inglória a tarefa de escrever a presente crónica, pois será lida no dia seguinte ao de um importante jogo, um Braga-Porto. O caro leitor saberá já, quando ler esta crónica, o resultado deste importante jogo. Mas eu, enquanto redigo estas palavras, não o sei. Por razões profissionais, encontro-me na Holanda para o Festival Rewire e não pude ver o jogo de ontem.

Aliás, escrevo esta crónica antes de embarcar no avião, na passada sexta-feira (a escrita permite estas automáticas viagens no tempo, saltar no tempo entre quem lê e quem escreve). Ora, na sexta-feira passada vivia-se ainda a ressaca dos jogos da seleção nacional e os jornais já antecipavam o jogo de ontem. Falarei da seleção: não partilho com a grande parte dos comentadores a visão negativa do que sucedeu. Ou melhor, sei que, em termos pontuais, os resultados foram maus. Mas continuo a pensar que temos a equipa mais forte e mais capaz de vencer este grupo, no qual, estou convicto, só a Sérvia nos pode atrapalhar.

Tivemos sempre melhor jogo do que os nossos adversários nestes dois primeiros jogos e estou fortemente convencido que iremos recuperar os pontos perdidos nas suas casas (na Ucrânia e na Sérvia). Somos campeões europeus e, agora, jogar contra nós é mais motivador. E as vocações dos nossos adversários serão cada vez mais defensivas quando nos defrontarem (embora, nos seus estádios, não poderão sê-lo da mesma forma tão fechada como foram no Estádio da Luz) . Daí a importância de Dyego Sousa na seleção nacional, jogador muito físico, que nunca desiste da luta pela bola, jogador de área, bom de cabeça e que incomoda, e muito, os centrais. A aposta de Fernando Santos, de o colocar de início junto de Cristiano Ronaldo, não foi, é certo, bem-sucedida, pois este lesionou-se com meia hora de jogo e a estratégia desmoronou-se aí. Mas, apesar disso, mostrou que poderá, e muito, ser útil à equipa nacional

NOTA: Por erro técnico, que lamentamos, esta crónica devia ter sido também editada na nossa edição de hoje. O texto editado na coluna semanal de Miguel Pedro não era seu, mas sim de outro colunista de O JOGO. Ao autor, o nosso pedido de desculpa.