Premium Dói, mas entrámos e saímos do Dragão como clube grande

Dói, mas entrámos e saímos do Dragão como clube grande

O SC Braga não ganhou, é certo. E no momento em que escrevo estas palavras, ainda me custa muito aceitar o resultado.

Momentos antes de me sentar no sofá para ver o jogo de ontem entre Porto e Braga, assomou-me à cabeça uma afirmação que Barroso, histórico jogador do SC Braga, proferiu, em entrevista de antevisão ao jogo num jornal desportivo, durante a semana que hoje termina, a propósito da grandeza do nosso clube: "O SC Braga sempre foi um clube grande". A questão que sempre se colocou foi a dos clubes ditos grandes versus os clubes...pequenos? A frase de Barroso encerra em si um facto incontestável: o Braga sempre foi o clube da cidade de Braga, da comunidade bracarense, independentemente do número de adeptos que a cidade tenha de outros clubes. A sua história funde-se com a história da própria cidade e os protagonistas do clube, ao longo da sua existência, foram também protagonistas no desenvolvimento da cidade enquanto espaço geográfico de partilha. O SC Braga dos últimos anos, da era de António Salvador, que anda a "morder os calcanhares" dos tradicionais "grandes" só acontece porque o SC Braga tem uma dimensão de grandeza na comunidade que lhe permite suportar, em termos de apoio, todo o investimento que tem sido feito no clube (nas infraestruturas, no marketing, nos ativos financeiros, etc...). Aumentar a inserção da coletividade na comunidade, estreitando os laços, é, assim, a condição de possibilidade necessária para aumentar a grandeza da SC Braga. Por isso, ver os mais de dois mil adeptos do SC Braga, ontem, nas bancadas do Dragão a apoiar o SC Braga fez-me pensar que, independentemente do resultado, a noite já estava ganha. Mas ainda faltava jogar. E o jogo foi, na verdade, um enorme jogo. Quando duas equipas só têm como objetivo ganhar, o jogo só pode ser assim: competitivo, emotivo, "raçudo", e com muito futebol.

O SC Braga não ganhou, é certo. E no momento em que escrevo estas palavras, ainda me custa muito aceitar o resultado. Porque - e concordo com o que Abel disse na entrevista no final do jogo - o Braga foi ontem melhor equipa do que o Porto e teve as melhores oportunidades. Devia e podia ter marcado primeiro. Sofrer aquele golo no final foi um verdadeiro murro no estômago. Mas a personalidade que a equipa mostrou, ontem, no Estádio do Dragão dá-me a certeza de que nesta época vão acontecer coisas muito bonitas. Perder é sempre mau... e perder assim, quando fomos melhores (e com golo sofrido nos últimos minutos e depois de mandarmos duas bolas à trave), dói. Mas o certo é que entrámos no Dragão como um clube grande e saímos de lá como um grande clube.