Premium Com Rúben Amorim a equipa joga de peito aberto

Com Rúben Amorim a equipa joga de peito aberto
Miguel Pedro

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PASSE DE LETRA - Um artigo de opinião de Miguel Pedro.

1 Estou sentado na bancada do Estádio Municipal de Braga e faltam cerca de dez minutos para começar o jogo. O frio da noite nem se sente, pois o calor dos adeptos aquece o ambiente. Dou por mim a pensar no que pode significar o resultado desta final da Taça da Liga na curta carreira de Rúben Amorim. Os adeptos bracarenses colocam muita esperança nas suas capacidades. Comparam-no já a Mourinho, a Jorge Jesus ou Paulo Fonseca. O começo fulgurante deste "treinador sem as habilitações exigidas" tem o revés da medalha, pois torna-se difícil melhorar e fácil piorar. Mas será injusto deixar de apostar e confiar nele se as coisas, no jogo que vai começar dentro de pouco tempo, não lhe correrem de feição, se o Braga não vencer o troféu. Estou plenamente convencido que Rúben Amorim será mais um treinador exportável, na senda de tantos e tão bons treinadores portugueses. Fará, por certo, boa carreira em clubes internacionais, como sucede com treinadores que António Salvador escolheu, desde Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Jesualdo Ferreira ou Abel Ferreira (este último que também, como Rúben Amorim, transitou da equipa B, que, além de formar jogadores, também forma treinadores). Com uma postura tática bem delineada, apoiada por uma ideia de jogo bem marcada (pressão alta, mutabilidade do sistema tático, posse de bola continuada) e uma ponderada escolha dos jogadores com as características adequadas ao seu sistema de jogo, Rúben Amorim será mais um treinador a engrossar a fileira dos grandes treinadores portugueses com sucesso por esse mundo fora. E, agora, que comece o jogo....

2 Vencemos e com inteira justiça. Ganhar um título como este - o de Campeão de Inverno, como lhe chamam - tem uma importância decisiva na construção de um clube como o Braga. Aproxima a cidade do clube, torna-se atrativo para novos adeptos, principalmente para os mais novos e é um momento de catarse para a comunidade braguista. A equipa de Rúben Amorim mostrou nesta difícil final as características que vinha demonstrando nas anteriores e sucessivas vitórias: é uma equipa mentalmente muito forte, muito concentrada nas suas tarefas - coletivas e individuais - e enfrenta estas grandes equipas de peito aberto, de igual para igual. O jogo foi bastante equilibrado, em todos os aspetos do jogo, até nas oportunidades. Mas o Braga foi superior na gestão emocional dos vários momentos do jogo e, por isso, venceu o encontro. E isso é que é próprio de uma grande equipa. Ganhar este título é um fim em si, claro, e deve ser celebrado e muito. Mas é também, creio eu, o arranque para um resto de época pujante, com uma equipa que pode ainda alcançar outros objetivos, sendo, para mim, que tem o que é necessário para alcançar o pódio no campeonato, a saber, excelentes jogadores e um treinador inteligente e audaz. Parabéns a todos. Venha o próximo.