Exclusivo VAR: vacina ou doença?

Miguel Carvalho

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BOLA DE TRAPOS - Daí nascem perguntas assustadoras: conseguirão os alicerces humanos desta "religião" suportar tal escrutínio? O futebol precisa mesmo de um "Deus ex-machina" improvável e artificial para solucionar os seus dilemas ou tramas e dar sentido de justiça à "narrativa"? Anunciado como a vacina para muitos males do jogo, o VAR pode revelar-se, afinal, a doença que ataca a imunidade do seu significado profundo. O que sobra desta paixão desportiva, "infinita enquanto dure", se já não pudermos escolher a "nossa" verdade?

Houve uma altura em que, mesmo sabendo que algo de simbólico se perderia pelo caminho, acreditei nas benesses da chegada do VAR ao futebol.

A sensação foi semelhante à que experimentei por altura das eleições norte-americanas: o jogo entrara de tal forma em "modo Trump", com incendiários que iam das altas instâncias às milícias, que até um Joe Biden arrastado e robótico, mas salvífico, parecia uma mensagem dos céus, certificada pelo Vaticano e tudo.