Premium "Tal como o treinador Sérgio Conceição, também sofro de mau perder e azia"

"Tal como o treinador Sérgio Conceição, também sofro de mau perder e azia"
Miguel Carvalho

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BOLA DE TRAPOS - O cronista Miguel Carvalho escreve, em O JOGO, sobre o ser-se adepto

É antiga, entre profissionais da bola, a teoria de que o adepto de bancada ou sofá deve abster-se de opinar sobre o que não percebe. Na verdade, ele é apenas convidado a aplaudir ou autorizado a indignar-se, consoante os feitos e desventuras dos heróis do relvado, mas resignado à condição de figurante. "Quem está fora racha lenha" é uma expressão confinada às altercações típicas de peladinhas, mas foi elevada a culto entre a elite desportiva, quase sempre indisponível para se sujeitar ao sufrágio coletivo sobre os seus próprios demónios, erros e insuficiências.

Ao adepto parece estar vedado o entendimento da verdade oculta do jogo e da sua filosofia, mesmo que rasgue as vestes e se esgadanhe pelo clube de afeição há mais anos do que alguns contam de balneário ou troféus. Na prática, os adeptos têm menos direitos do que militantes partidários, embora estes também só se revelem úteis às lideranças se aceitarem todas as opções e justificações, atuarem em rebanho e aceitarem, sem questionamentos, a difícil e solitária arte de mandar.