Premium FC Porto-Benfica: o filme mudo

Miguel Carvalho

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Conhecendo razoavelmente os aparelhos mediáticos, políticos e desportivos ao longo de 30 anos de jornalismo, não tenho dúvidas de que, se o Benfica estivesse na frente, já estaríamos a discutir até à exaustão -por razões de saúde pública, claro - o fim antecipado da liga.

Se tudo correr sem sobressaltos sanitários nem percalços burocráticos, teremos este verão um clássico "silencioso". O FC Porto-Benfica da final da Taça de Portugal será uma espécie de filme mudo melhorado.

Não haverá, ainda assim, menos rivalidade: dirigentes, atletas e treinadores tratarão de pô-la ao lume, com mais ou menos tempero, até para desenrascarem alguma motivação extra nestes tempos que convidam à desinspiração. De resto, disputar um jogo deste calibre num estádio sem público, em clima de vigilância médica, até pode dar jeito para, daqui a muito tempo, termos a melhor literatura memorialística sobre o ano em que estivemos em parte nenhuma.