Premium Os chefes e os índios

Fernando Santos escolheu a equipa dos adeptos: com Bruno Fernandes, João Félix, Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo, tudo gente maravilhosa para ter a bola e pouca vontade de correr atrás dela.

Fernando Santos escolheu a equipa dos adeptos: com Bruno Fernandes, João Félix, Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo, tudo gente maravilhosa para ter a bola e pouca vontade de correr atrás dela. Muitos chefes e poucos índios, como se pode dizer, o que implicava que os chefes fossem um pouco índios. Mas não foram.

Portugal defendeu quase sempre mal: Shaqiri esteve sempre muito à vontade, com uma máquina de correr para a frente como o lateral-direito Mbabu, que não foi parado mesmo com a colocação de William daquele lado. Faltou coesão ao onze português no Dragão, porque alguns dos nossos tenores nem cantavam as árias de que mais gostam. João Félix teve que ser mais 9 e ele não é isso, Bruno Fernandes teve que ser médio-direito, Bernardo Silva começou no meio num 4-4-2 losango e acabou na ala, onde é sempre melhor. Foi muitas vezes essa inadaptação à função que tinham que desempenhar que fez com que a equipa nunca estabilizasse - só teve dois treinos para isso. E uma equipa com jogadores de terem bola acabou com 46% de posse (43% na primeira parte), porque não havia estabilidade. Melhorou na segunda parte, quando Bruno Fernandes se manteve sempre como médio-direito e a coisa se equilibrou mais.