Telma à Fernando Santos

Manuel Queiroz

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Telma Monteiro deu uma lição de maturidade no tatami. A forma como a romena Corina Caprioriu a saudou no final - ou não saudou, nem sequer olhou para a adversária que acabava de lhe ganhar - não deixa dúvidas: achou que não merecia perder, ou que a portuguesa fez pouco para ganhar. Do pouco que sei de judo, creio que Telma ganhou à Fernando Santos: marcou um ponto e depois especulou à espera que o tempo corresse e forçou as três penalizações possíveis por não competir verdadeiramente. E ganhou a segunda medalha de sempre do judo português - obrigado Nuno Delgado -, a primeira medalha portuguesa desta edição, apenas a 24.ª medalha no total dos portugueses (só mais uma que Michael Phelps...).

Telma foi fria, foi segura, foi capaz de chegar ao Bronze depois de ter perdido um combate com a n.º 1 do mundo, a mongol Dorjsueren. E explicou no fim que a seguir seria a francesa Automne Pavia (belo nome) e que disse aos colegas que se ganhasse a esta - medalha de bronze em Londres - ia ao pódio. E foi. A almadense filha da cozinheira e do pintor de automóveis, a atleta do Benfica que já tinha ganho cinco europeus e tinha ficado em segundo em quatro mundiais, conseguiu finalmente a medalha olímpica que lhe faltava na categoria de -57 kg. Aos 31 anos, nem se põe de fora de Tóquio 2020, porque gosta do judo e o Japão é a pátria da modalidade.

O judo deu uma lição a competir. João Sousa deu outra - perdeu com Juan Martin del Potro, mas obrigou-o a jogar o seu melhor ténis (o argentino não precisava de ser colossal nos serviços...), Marcos Freitas vai ter no mínimo um diploma no ténis de mesa. Insisto: na natação não vejo nada disto. Afundamo-nos sempre, ou já vamos para lá em modo submerso. É uma pena um pais de marinheiros não saber atirar-se à água...

Alto - Michael Phelps

É um campeão com todos os problemas que pode ter um campeão - drogas, álcool, reabilitação -, mas ganhou nos 4x100 a sua 23.ª medalha olímpica, fazendo o segundo percurso, ele que só no dia da corrida foi definitivamente anunciado na equipa que acabou por recuperar o título que tinha perdido em Londres para a França. Foi na sua estafeta que a equipa passou para a frente da corrida e mostrou que provavelmente vai ser o primeiro a ganhar ouro na mesma prova em quatro Jogos Olímpicos seguidos.

Baixo - Danell Leyva

O americano de origem cubana, já campeão mundial de barras paralelas por exemplo, teve ontem um lapso que impediu os EUA de discutirem uma medalha na classificação coletiva da ginástica. Caiu da barra pouco antes de terminar, ficou no chão, desolado, foi preciso ir lá o treinador ajudar a levantá-lo e colocá-lo na barra para acabar a prova. Um momento doloroso em que um elemento faz perder a equipa.