Phelps chegou a ir ao fundo

Manuel Queiroz

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Michael Phelps tornou-se na quarta-feira o nadador mais velho a ganhar uma medalha de ouro, aos 31 anos. Vai em 21 de ouro - na mesma noite ganhou os 200 m mariposa e os 4x200 livres - e 25 no total, ou seja, mais do que Portugal... Na natação, só quatro países têm mais medalhas de ouro - EUA, claro, Austrália, Alemanha de Leste (que já não existe) e Hungria.Tinha-se retirado em 2012, após os Jogos de Londres e começou a fazer asneiras. Foi fotografado a fumar droga, em 2014 foi apanhado a guiar alcoolizado e teve de fazer reabilitação, a famosa "rehab" muito americana. Ao longe, o seu treinador, Bob Bowman, 52 anos, seguia uma saga que, disse ele ao "L"Équipe" há dias, já se sentia antes de Londres. "Que inferno! Todos os dias me dizia que queria deixar, que não aguentava. Começou a beber, a sair à noite." Bowman diz que a relação entre os dois era como se "fôssemos casados e não pudéssemos separar-nos" e que não conseguiria recusar-lhe ser o treinador. Já Phelps definia-o como "um pai". De resto, a falta do pai - com quem não falou durante 12 anos - foi um dos motivos para a sua depressão. "Soube disso muito cedo e, apesar de ter sido eu que lhe ensinei a conduzir, não podia substituir o pai, nem ele queria", diz ainda Bowman. "Como querem que um miúdo se construa a si mesmo quando já é um ícone? Com a mãe e as duas irmãs tentámos acompanhá-lo, mantê-lo no bom caminho. Mas a certa altura começou a reivindicar as suas próprias decisões."Phelps mudou-se há um ano de Baltimore para o Arizona para estar próximo do treinador. E mal saiu da reabilitação Bowman viu que ele tinha voltado do fundo do poço. "Tinha as ideias claras. Decidiu casar-se com a sua namorada e o nascimento do filho culminou a metamorfose. Ele vivia num mundo em que só tinha de se preocupar consigo. Agora, tem o filho e isso muda tudo." O filho chama-se Booman em homenagem a Bowman.Em Sidney, em 2000, Phelps estreara-se nos 200 metros mariposa e foi a única prova olímpica em que não foi ao pódio (foi quinto). Desta vez ganhou ouro.

Alto - Rui Jorge

Levou a sua seleção até aos jogos a eliminar - é bom depois do que se passou (Calleri e Correa, da eliminada Argentina, valem mais que toda a equipa portuguesa). Mas o nono lugar do canoísta José Carvalho no slalom ou mesmo Marcos Freitas, eliminado nos "quartos" do ténis de mesa e terminando em quinto, são dignos. Como o 11.º de João Costa no tiro. Nem sempre se pode ganhar, mas deve-se sempre ser capaz de competir.

Baixo - FINA

A Federação Internacional de Natação volta a estar em xeque: agora sabe-se que pelo menos 17 tempos de nadadores de 16 países que estavam nos cadernos oficiais - e que servem para definir as pistas dos atletas - estavam errados. Cornel Marculescu, diretor geral da FINA, diz que a culpa é do Comité Organizador brasileiro, que responde que as listas estão assinadas pela FINA. Para quem está de fora, a FINA parece mesmo um problema.