Os medos do atletismo

Manuel Queiroz

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Começou a segunda semana dos Jogos Olímpicos, começou o atletismo e começou com um recorde do mundo impressionante para Almaz Ayana, a etíope que retirou quase 15 segundos à marca que estava na posse da chinesa Wang Junxia (29.31,78), um recorde que vinha de 1993 em Pequim e que tinha sido um dos mais controversos porque era um tempo fantástico.

Se da FINA (Federação Internacional de Natação) tenho falado aqui nos últimos dias, é tempo de também falar da IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo) cujo presidente, o inglês Sebastian Coe, deu uma entrevista ao Frankfurter Allgemeine alemão em que disse que o objetivo agora era "reintegrar a Rússia no movimento do atletismo". Ora, o primeiro devia ser que a Rússia aceitasse que tinha um problema de doping de Estado - que levou a IAAF a recusar a inscrição de qualquer atleta russo na modalidade nestes Jogos - e só depois de facto reintegrar o país. Coe sucedeu a Lamine Diack que está acusado de desviar dinheiro e de ser conivente, pelo menos, nos erros dos controlos anti-doping. O próprio Coe entrou mal, porque se soube pouco depois que mantinha um contrato com a Nike, um dos principais patrocinadores da IAAF. Lá cortou a relação com a Nike, não sem dizer que a presidência da IAAF não é remunerada e que ele precisa de dinheiro para viver. Pois, talvez se se tivesse lembrado antes de ser eleito...É que estes dias no Rio de Janeiro ficaram marcados pelos problemas do Quénia, pais acusado de ter uma organização montada de dopagem (não por acaso, muitos atletas europeus vão treinar para aquelas bandas). O team-manager do atletismo do Quénia, Michael Rotich, foi expulso dos Jogos por ter sido descoberto que era ele o dirigente queniano que declarava aceitar 10 mil dólares para resolver problemas de controlos de doping. Fê-lo numa investigação jornalística do Sunday Times e da tv alemã ARD que se fizeram passar por gente ligada a atletas que queriam obter bons resultados. O sistema está mesmo podre e quase ninguém acredita que Coe, o antigo campeão olímpico tenha força para o resolver.

Baixo

Salomé Rocha

Nos 10 mil metros, treze atletas bateram os recordes pessoais, oito bateram os recordes do pais, alem do recorde do mundo. Ou seja, a prova foi muito rápida ("corri contra um TGV", disse no fim), as condições atmosféricas eram boas, mas a atleta portuguesa só ficou perto do seu máximo pessoal, a cerca de um segundo, em 26ª. E ficou satisfeita...

Alto
Almaz Ayana


A etíope de 24 anos só tinha corrido uma vez a distância e ontem estilhaçou o recorde do mundo deixando a ideia de que qualquer dia é capaz de correr em menos de 29 minutos. Sobretudo porque foi um solo impressionante quase desde o meio da corrida e um último quilometro nuns incríveis 2"54. As etíopes - Dibaba ficou em terceiro com recorde pessoal - mandam.