Premium OPINIÃO: À antiga, com golos

Há pelo menos uma diferença evidente entre Portugal e o Real Madrid: é que a Seleção Nacional não se queixa de falta de golos quando não tem Cristiano Ronaldo. O cristianismo na equipa de todos nós ainda não acabou, parece-me, e precisamos dele para outras batalhas, mais duras, mas temos uma segunda linha a emergir de inegável qualidade.

O Benfica tinha três jogadores no onze, o que não acontecia há muito - Rúben Dias, Pizzi e Rafa, um em cada sector (e mais Bernardo Silva, Cancelo e Renato Sanches formados lá, o que é um sinal dos tempos). Rafa foi a surpresa, mas porque Bruma teve um desarranjo e nem ao banco foi, mas logo atrás vem Helder Costa (outro ex-Benfica), que me parece chegar tarde à primeira internacionalização, que deve ser depois de amanhã, na Escócia.

Num tempo em que o campeão do mundo e o campeão da Europa são países latinos (França e Portugal) - e nas competições de clubes europeus, idem -, a capacidade técnica dos portugueses controlou a bola e a maior parte do jogo. Portugal foi melhor, como já tinha sido (muito) melhor que Itália. E por isso deve estar presente na "final-four" que junta os quatro vencedores dos grupos da Liga A e tentar ganhar esta competição, que se disputa pela primeira vez. (Só para desfazer dúvidas: isso não dará nenhum privilégio na qualificação para o Euro"2020, porque a única ligação entre as duas provas é que há quatro lugares a disputar num play-off em minicampeonatos, através da classificação final de cada um dos quatro níveis da Liga das Nações).

Se estamos ainda longe da perfeição, seja lá o que isso é em futebol, boas prestações do sector defensivo, em que incluo Rúben Neves e William, excelente a capacidade técnica do meio para a frente, mostrando uma equipa dominadora e um bocadinho à antiga portuguesa, de pé para pé, numa linha contínua e, bem diferente desses tempos antigos, acabando muitas vezes com a bola nas redes. Sem Cristiano, houve um trio de Silvas na frente e André é indiscutivelmente um grande ponta de lança (dois jogos, dois golos). E Bernardo um homem a quem se pode entregar a bola. E o triângulo Cancelo-Bernardo-Pizzi é muito forte.