Explicar Usain Bolt

Manuel Queiroz

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Os Jogos Olímpicos são impressionantes pela quantidade inigualável de provas de alto nível numa variedade única de desportos reunidos quase sob o mesmo teto. Mas o "star system" também ajuda a dar brilho - sem Bolt, sem Carmelo Anthony, Simone Biles, Neymar, Teddy Riner - não seriam a mesma coisa.

Usain Bolt começou ontem a procura de um inédito triplo-triplo, ou seja, três medalhas de ouro em três Jogos consecutivos que para muitos farão dele o atleta dos atletas. Há teses e estudos vários sobre o velocista jamaicano. Sabe-se que os 195 centímetros lhe permitem fazer os 100m em apenas 41 passadas, contra as 45 dos adversários normais, o que desde logo é uma boa vantagem - chama-se frequência de passada. Mas quem vê uma corrida dele percebe que há um momento, mais ou menos a meio, em que ele se adianta aos outros, dir-se-ia que acelera e os outros mantêm a passada. A verdade é que, como todos os outros homens muito rápidos, Bolt atinge o máximo da sua velocidade aos 70m, cerca de 43 km/h e, a partir daí, inevitavelmente desacelera. Só que ele desacelera menos do que os outros.

O processo biológico que causa a fadiga parece continuar a ser um mistério - é o que defende Peter Weyand, da Universidade Southern Methodist do Texas, citado pelo Wall Street Journal. Num estudo de 2012 que fez com o seu colega Mathew Bundle, da Universidade de Montana, a conclusão foi que a maior diminuição do rendimento muscular numa corrida rápida produz-se nos primeiros segundos, quando ainda estão a acelerar. "E é contração a contração", diz Weyand. Se for assim, se os músculos tiverem menos força a cada passo, Bolt tem a vantagem de precisar de menos passos. E explicaria por que é que Bolt desacelera mais lentamente do que a concorrência nos últimos 20 metros.