Quando vitórias mínimas dão diferentes conclusões

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 foto JOSE COELHO

Benfica, FC Porto e Sporting ganharam por 1-0 mas os leões tiveram que mudar de ideias para lá chegar

Os três grandes têm a companhia do Rio Ave na liderança, todos com duas vitórias em duas jornadas. Nesta segunda ganharam os três por 1-0, mas o Benfica fez uma grande segunda parte em Chaves, o FC Porto mostrou as suas qualidades em Tondela e o Sporting precisou de mudar de ideias (mudando jogadores e presença na área) para atingir o seu nível. E mesmo assim, em casa, precisou de um penálti tardio para vencer o Setúbal.O Benfica tinha o adversário mais difícil e deu grande resposta na segunda parte. Um golo já nos descontos, mas depois de enorme pressão e muitas oportunidades. Um Chaves macio (12 faltas) "permitiu" a cavalgada mas quase tinha a sorte de aguentar. Um Benfica que acabou com os três pontas de lança e que submeteu a equipa de Luís Castro, treinador que tomou decisões que nem sempre se compreenderam.O FC Porto também ganhou 1-0 e mostra grande solidariedade, grande espírito, mas ainda alguma falta de organização. O espírito é excelente mas não chega para uma época inteira, como Sérgio Conceição sabe e por isso é preciso investir na organização. Cada coisa a seu tempo, claro, e era essencial começar em força e dar um sinal público. E está dado: enterrou o controlo do jogo e fez o funeral da posse de bola estéril, como escreveu Álvaro Magalhães neste jornal anteontem. A equipa mostra que para a frente é que é o caminho e isso é bom como "statement" de entrada, de forma a mostrar o que quer. Mas é preciso que não haja só um momento no jogo, o da aceleração. Tem que haver também o da pausa, de elaboração, o de ver o que faz o adversário.Marega foi a boa surpresa deste início, porque Ricardo Pereira já nem o é (mas conseguirá fazer sempre cem piscinas por jogo?). Brahimi ainda não encontrou o registo certo mas preocupa-se com a equipa. Lembro-me sempre, por outro lado, que Tomislav Ivic, quando tinha Madjer no FC Porto, nunca o queria do meio-campo para trás porque a tendência do argelino, talento enormíssimo, era para o drible e às vezes perdia a bola e era um sarilho. Às vezes ainda vejo isso em Brahimi, argelino também ele. Precisa de ganhar segurança de jogo.O Sporting ganhou com mais dificuldades, apesar de o resultado ter sido o mesmo 1-0. Porque marcou no fim e de penálti e porque foi com as substituições que melhorou. Doumbia e Bruno Fernandes mostram que o talento de Podence é mais de minutos finais do que de minutos iniciais, porque é mais fácil agitar adversários cansados. Isto não é como se quer mas é como é. Para jogos deste tipo, de 60 ou 70 por cento de posse de bola, é preciso gente sénior na área e nada mais faz sentido. Como Jorge Jesus sempre fez anteriormente e agora às vezes não faz, à procura de uma segurança que não parece necessária ou recomendável nestes jogos. Liberte mais a equipa, meu caro JJ! Para já, Mathieu já está próximo do seu melhor e isso garante segurança (embora na época passada também não tenha sofrido golos nos primeiros dois jogos).O Rio Ave ganhou no Bessa, também por diferença mínima e também tendo que sofrer até ao fim (o Boavista falhou um penálti no último minuto). A equipa de Miguel Cardoso, que se estreia na Liga, mostra algumas coisas boas mas é um Francisco Geraldes de grande categoria.