Falar, para já, em campeões nacionais é prematuro

Falar, para já, em campeões nacionais é prematuro
Manuel Queiroz

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A crónica de Manuel Queiroz, com o foco nos impactos do Covid-19 no futebol

O Euro"2020 é para já a maior vítima desportiva do coronavírus. Mas a decisão da UEFA foi a única possível - adiar o início um ano, para 11 de junho de 2021. A decisão pode custar entre 200 e 300 milhões de euros, mas "a ideia de celebrar o festival pan-europeu de futebol em estádios vazios, com Fanzones desertas, enquanto o continente está em casa em isolamento, era muito triste e algo que não podíamos aceitar para celebrar o 60.º aniversário da prova", como disse o presidente, Aleksander Ceferin.

De resto, basicamente foi tudo adiado indefinidamente, como a Champions e a Liga Europa, porque não há muito a fazer. E Ceferin fez aquilo bem: a primeira videoconferência foi com a Associação dos Clubes e com a Associação das Ligas e a FIFPro e todos estiveram de acordo. Como também na segunda, com as 55 federações, e, depois, com o Comité Executivo.

Vivemos tempos de tanta incerteza que não se sabe o que se passa daqui a uma semana, quanto mais daqui a um mês. Mas sabe-se que continuaremos a ter de conviver com o Covid-19 por vários meses, pelo que a prudência é esperar algumas semanas. Pela experiência chinesa, é provável que em menos de oito semanas não voltemos a ter um módico de normalidade.

É bom ter um plano, é bom que a UEFA tenha dado espaço para terminar as competições de clubes, nacionais e europeias, mas não o fez por bondade. Fê-lo porque não havia hipótese mesmo de organizar o Euro"2020. E no próximo ano veremos - ninguém sabe que economia teremos nessa altura. Os Jogos Olímpicos, com início marcado para 24 de julho, em Tóquio, continuam de pé, segundo as autoridades japonesas, mas na verdade ninguém acredita.

Tudo isto quer dizer que falar, para já, em campeões nacionais é prematuro. E não faria sentido que a UEFA se metesse nisso agora. "O objetivo é acabar as competições de clubes", disse Ceferin.

E há algumas boas notícias. Ceferin e Infantino entenderam-se (o que parecia impossível há quinze dias) e o tal nefando novo Mundial de Clubes também está sem data definida - e tão cedo não haverá dinheiro para o que a FIFA queria, digo eu. O que também não é necessariamente mau. E Portugal será campeão europeu mais um ano. E, quando voltar, o futebol - e o desporto em geral - será outra vez a alegria do povo.