Premium "Diga-se que, na estreia a titular, Dyego esteve muito infeliz"

"Diga-se que, na estreia a titular, Dyego esteve muito infeliz"

Manuel Queiroz analisa o empate da Seleção Nacional frente à Sérvia (1-1).

Cinco jogadores titulares a alinharem em clubes portugueses num jogo a sério da Seleção, já não me lembrava de ver: Pepe, Rúben Dias, Danilo, Rafa e Dyego Sousa. Há aqui uma mudança de paradigma para um "made in liga portuguesa"? Veremos. Deles todos, diga-se que, na estreia a titular, Dyego esteve muito infeliz, nada lhe saiu bem, mesmo passes fáceis a dois metros saíam tortos... É verdade que a equipa não passou a ter muito mais oportunidades de golo com André Silva, mas jogou mais harmoniosamente, associando melhor o ponta de lança com os médios e os extremos, até porque se conhecem melhor. O jogador do Braga começou por ser o ajudante do CR7 e isso é uma coisa; outra é ser ele o "target man" num jogo importante, em que até se mudou de tática a meio (4-2-3-1). Para quem está a chegar, e nas circunstâncias dele, tal não seria evidente. Mas mantenho que tem características que podem completar esta Seleção.

Houve mais coisas estranhas ontem. A lesão do CR7, à meia hora de jogo, não ajudou nada mas teve um bom efeito: esta equipa não depende dele e não ficou afetada pela sua saída. Reagiu bem, para alguns até pareceu melhor - não tinha de o procurar. A exibição foi outra vez descontínua e, ontem, o jogo podia ter caído para qualquer um dos lados, porque a Sérvia na segunda parte teve várias oportunidades de golo (Portugal também, mas não tantas assim). Vai ser difícil ganhar em Belgrado. Mas às vezes dá ideia de que, para as grandes equipas, é tão óbvio que vão estar na fase final que nem há assim tanta tensão nos jogos. Não vi isso só nos jogos de Portugal, de resto. E sim, Portugal vai ter de ser melhor, mas pode bem ganhar o grupo.