Opinião

PremiumManuel Queiroz

Melhorar a Taça

Duas ou três ideias para melhorar esta eliminatória da Taça. A primeira era o sorteio ser mais cedo - foi apenas dez dias antes do dia marcado para os jogos e acabou por ser só oito antes do primeiro jogo. Se o sorteio fosse mais cedo - pode ser feito juntamente com a segunda eliminatória, à condição -, os clubes têm tempo para preparar os seus campos (a segunda eliminatória foi em finais de setembro). Depois, se a FPF tem sete milhões de lucro, pode destinar 500 mil ou um milhão para apoiar os clubes que recebem os grandes (e se saíssem em anos seguidos ou no mesmo ano, já não tinham direito). Ajudar os clubes e as autarquias a melhorar os estádios é positivo. A Taça pode ser um veículo para melhorar o Portugal profundo, mas para isso é preciso tempo e sabendo-se que nunca há muito, mais dez dias ou quinze pode fazer a diferença. Foi bonita a festa em Vila Real, bem organizada e a que faltou apenas que me dessem oportunidade de comer uns covilhetes (não havia à volta do estádio...). A FPF tem melhorado mas pode melhorar mais. Há sempre novos desafios, mas ter os grandes em campos do interior é bom para o futebol, que tem de aproveitar as oportunidades para se mostrar ao país profundo.

PremiumManuel Queiroz

OPINIÃO: Gerir não é só vender

Muito infelizes as contas do FC Porto (100 milhões de prejuízos nos últimos três anos) e muito infeliz a apresentação: os números são outra vez muito maus, dizer que aumentou o peso dos salários por causa do prémio do campeonato é uma "trouvaille" que não aguenta um minuto de pé. Mais estranha ainda foi a revelação de que Herrera pedira seis milhões para a renovação (há uma regra de educação que é não discutir contratos em púbico). O empresário de Herrera já veio contrapor que trouxe uma proposta do Lyon de 25 milhões que o clube não aceitou. E esta é outra questão: pode uma empresa ainda sob observação da UEFA recusar propostas destas? Sabendo, ainda para mais, que tem outro caso parecido em mãos (Brahimi)? E que, ainda por cima, a pedido do treinador, mantém altos salários improdutivos como o de Adrian Lopez? Não são decisões fáceis e gerir uma equipa não é só vender e comprar jogadores. Há uma estabilidade mínima que é preciso manter para ter resultados desportivos. Mas que há um défice de gestão nos últimos anos parece uma evidência: prometeu-se baixar os custos de pessoal, era assisado baixar os custos dos administradores, era bom ter um plano e não há nada disto.