Exclusivo Taticamente de borracha

Luís Freitas Lobo

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PLANETA DO FUTEBOL - Opinião de Luís Freitas Lobo

1 - Podemos definir táticas e posicionamentos que, depois, basta um jogador escorregar no momento decisivo e tudo isso deixa, na prática, de ter aplicação. O Vizela, taticamente bem orientado de boné por Álvaro Pacheco e suas ideias do futebol virado para a baliza adversária, estava a encarar o jogo a acabar, contra o Benfica e com 0-0, da mesma forma.

Foi então que, já no oitavo minuto de compensação, Samu na ânsia de sair para o contra-ataque, escorregou e deixou o flanco aberto (o lateral também disparara a subir). De pé no banco, Álvaro Pacheco temeu/adivinhou logo o pior e virou, resignado, as costas ao lance de mãos nos bolsos. Quando vi esse seu gesto, vi pela cabeça dele o golo em antecipação. Assim foi.

2 - Tudo isto sucede numa jornada em que as maiores questões táticas foram centradas no debate, lançado por Conceição, e depois pelo próprio Pacheco, sobre o uso de botas com pitons de borracha ou alumínio. Ambos criticaram, vendo como os seus jogadores escorregaram, aquilo que estes preferem atualmente, os de borracha (ou modelos híbridos) que têm claramente menos aderência. Por que os preferem então? Porque, mais leves, dão mais mobilidade mas menos tração e também menos prisão ao relvado que aumenta (em tese) risco de lesões (maior em terreno seco).