Exclusivo Quando estás no inferno, abraça o diabo!

Quando estás no inferno, abraça o diabo!

É um futebol que prepara os jogos num "atelier" de diferentes desenhos táticos e que depois passa por um "laboratório" onde congemina diferentes fórmulas de travar o adversário e, por fim, tendo também estudado as suas vulnerabilidades (por curtas que sejam), feri-lo no momento e espaços certos.

1 - Não é fácil, para o mais comum dos adeptos e analistas brasileiros, entender, sem ficarem intrigados, que tipo de futebol verdadeiramente é aquele que joga o Palmeiras de Abel, sobretudo nos grandes jogos decisivos, onde a diferença (a implacável sentença de ganhar ou perder) tem de ser feita em apenas 90 minutos (ou mais alguns, pensando em prolongamento ou até eliminatórias a duas mãos).
Mesmo treinadores brasileiros de visão mais tática, como Cuca, na frente do turbinado onze do At. Mineiro, choca, neste tipo de jogos, com este estranho mundo tático de Abel, conquistador da Libertadores com o chamado "futebol de estratégia" (passando por cima de onzes cheios de estrelas, como o Flamengo ou, antes, o River, de Gallardo, outro grande técnico sul-americano, da mais tática escola argentina, que também caiu no confronto direto).

2 - É um futebol que prepara os jogos num "atelier" de diferentes desenhos táticos e que depois passa por um "laboratório" onde congemina diferentes fórmulas de travar o adversário e, por fim, tendo também estudado as suas vulnerabilidades (por curtas que sejam), feri-lo no momento e espaços certos.
A final com o Flamengo foi a demonstração prática dessa ordem de aplicação tático-estratégica. Acrescentou-lhe, ainda, o poder de reação ao decorrer do jogo. Sobreviveu aos momentos mais difíceis e, de repente, inventou outra arma ofensiva (improvável) como foi lançar para o prolongamento que se esperava de sofrimento, o torpe n.º 9 Deyverson com missão de pressionar a saída de bola do Flamengo, roubar-lhe uma que fosse e depois marcar. Pensado e feito.
Era pacífico dizer que o Flamengo tinha, individualmente, melhores jogadores (David Luiz, Arrascaeta, Everton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol...) mas o problema é que, tática e estilisticamente, o vento/tendências do futebol moderno passou por eles (entenda-se forma da equipa jogar) e ninguém o soube agarrar ou até perceber como tal era um sinal implacável dos tempos.

3 - Renato Gaúcho pensou na final a partir dos seus jogadores e do valor superior que eles tinham. Abel pensou a final consciente de que eles até podiam ser melhores nesse plano primário do jogador por si só, mas não poderiam ser mais... fortes do que, como equipa, o seu exercito tático camaleónico que transforma jogadores. Não os faz melhores, mas torna-os mais fortes, o que no plano de decisão de um jogo, muito diferente dum campeonato longo, pode marcar a diferença. E marcou.
A ilusão começou logo quando a ficha de jogo nos chega às mãos e, olhando os jogadores, desenhamos um sistema para, depois, em campo, surgir outra coisa totalmente diferente.