Premium A Bota de Ouro: o golo através dos tempos

A Bota de Ouro: o golo através dos tempos
Luís Freitas Lobo

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Para quem viveu o futebol internacional dos anos 80, a Bota de Ouro tinha um nome romeno que aparecia como uma "fábrica de golos" de quem todos desconfiavam. Era o Camataru. O Benfica chegou mesmo a querer contratá-l

1 - Não tem o estilo elegante, rato ou possante, de quem seduz a baliza, sussurrando-lhe remates como um "goleador D. Juan". É mais um produto da "linha reta" para o golo. Tem sempre as "orelhas em pé" para cada bola que lhe surja à frente, bem metida para ele ou perdida após qualquer ressalto direto. E se o espaço se abrir, a desmarcação tem. desde o arranque na mente, o momento certo do remate. E ele aparece. Ciro Immobile é um protótipo que respeita o n.º 9 mais de choque (ou de busca pelo choque em vez da finta que sabe não ter). A história transalpina está cheia de jogadores destes. De Boninsegna a Vieri. A exceção foi Rossi.


Talvez porque lhe falte tanto essas coisas, não triunfou no Dortmund. A camisola ficou-lhe "demasiado grande" nas exigências da Bundesliga. Tinha saído do Torino, regressou para a Lázio e, numa bela equipa feita por Inzaghi, conquistou a Bota de Ouro de melhor goleador europeu, apontando 36 golos.
Retirando os jogadores de "outro planeta" como Ronaldo (31) e Messi (25), ficou dois golos à frente de Lewandowski (34). Mais para trás, Werner, Haaland, Vardy, Lukaku e, fruto de um coeficiente que atribui menos valor (em pontos) a golos em ligas ditas menos competitivas, Weissmann (30 golos na liga da Áustria, no Wolfsberger) e Nsame (30 na liga suíça, no Young Boys).