Vieira é ingrato com a loucura

José Manuel Ribeiro

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Benfica não saiu da depressão por ter cuidado com o dinheiro que gastava

O Benfica não entra em loucuras, jura o presidente Luís Filipe Vieira. As loucuras pareciam três, mas são duas. Fica de fora a "loucura" de tentar segurar Telma Monteiro (eu não experimentaria, até por sofrer da coluna), porque essa foi uma encenação à Sporting: no dia em que Vieira fechava a campanha eleitoral, veio oportunamente a público a notícia do assédio sportinguista à judoca e a revelação dramática (à noite e em pessoa) de que ela decidira não trair o coração benfiquista. Na véspera, por coincidência, soubera-se que Nelson Évora decidira o oposto, ou seja, traíra coração, fígado, pâncreas, os miúdos todos. As duas outras loucuras em que o Benfica não entra são loucuras em que o Benfica já entrou. Vieira não chegou ao maior passivo financeiro dos clubes nacionais por ser o São Francisco de Assis do futebol português e por manter a equipa de futebol vestida de serapilheira. Na última década, houve várias épocas loucas na Luz e algumas delas (2013/14, por exemplo) fundamentais para que agora o presidente possa ter este discurso de cónego do FMI. Fica mal renegá-las. Como também é feio fazer de conta que o Benfica não passou anos a experimentar táticas monopolistas e de rapina nas modalidades extra-futebol semelhantes às que o Sporting decidiu pôr em prática agora. Experimentou, inclusive, o estrangulamento financeiro dos adversários, opondo-lhes orçamentos inatingíveis. E, mais uma vez, não devia branquear essas ações, até por interesse próprio. Foi por ter decidido correr esses riscos que deu a volta a um tempo em que o FC Porto conseguia ser campeão simultâneo em todas as modalidades coletivas.