Exclusivo Perseguir a Imprensa e brincar com coincidências

Perseguir a Imprensa e brincar com coincidências
José Manuel Ribeiro

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Jornalistas escutados, a súbita descoberta do segredo de justiça e um agente muito especial da PJ que acaba transferido

Há uns tempos, o "advogado" António Pragal Colaço, cujos méritos pessoais se resumem a ter dado duas narigadas no punho de um ex-administrador do Sporting, exibiu no jornal "O Benfica" a transcrição de uma escuta do processo Apito Dourado envolvendo um jornalista d"O JOGO e um juiz do nosso tribunal de arbitragem. Anos antes, já uma gravação envolvendo um colunista deste jornal fizera as delícias dos tontos. Nenhuma delas inquietou a classe, mas esta redação também não se inquietou com a desinquietação.

A primeira escuta demonstra bem o profissionalismo do repórter envolvido e, na segunda, o colunista é apanhado a negociar notícias nas costas do então diretor deste jornal. Mas alguém permitiu que elas chegassem ao domínio público para que figuras como Pragal "Hematoma Duplo" Colaço se lambuzassem a deturpá-las, apesar de não terem relevância no processo e de envolverem jornalistas no exercício de funções. Essa mesma Justiça foi agora apanhada a escutar, seguir e fotografar jornalistas de cinco órgãos de comunicação para chegar às fontes deles, uma ação tão criminosa como a anterior e com um impacto incalculável no trabalho da Imprensa, na credibilidade do Estado de Direito e na Democracia.