Os dilemas do calendário

José Manuel Ribeiro

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O Sporting pressente que, depois do dérbi, o prado é mais verde para o Benfica. E o FC Porto sabe que ganhar ao Braga não chega

O Benfica complexado com os clássicos esgota os ditos no sábado. Depois, vai dedicar-se aos jogos de que mais gosta. Pode faltar-lhe vocação para os clássicos, mas ao Sporting e ao FC Porto faltou, até agora, vocação para o Minho, de onde Rui Vitória levou seis pontos. Recapitulando: na próxima jornada da I Liga, o Benfica esgotará os clássicos da época e já fez a Braga e Guimarães as viagens que tinha a fazer. Sporting e FC Porto ainda terão um clássico para ultrapassar, entre eles, e um check-in venenoso em Braga. José Peseiro fará o respetivo no domingo; Jesus só mesmo no desenlace do campeonato.

Este cenário que o calendário traça, havendo só um ponto de oxigénio para o Sporting, conforta o Benfica e exaspera o vizinho da Segunda Circular. O Sporting faz tudo sem esforço dentro do campo, menos ganhar. Ataca e defende com competência e simplicidade, tiraniza os jogos até, mas no placard acaba, demasiadas vezes, em sofrimento. À distância, o FC Porto assiste como um dobermann ao qual se faz festas com desconfiança, mas a verdade é que as vai permitindo com regularidade. É o outro contributo para o conforto e segurança do Benfica.

O Sporting pode resolver o problema repetindo, pela quarta vez, a vitória e esperando que o impacto atordoe o adversário durante umas semanas. Já ao FC Porto nunca bastará ganhar em Braga: para ser pressentido como uma ameaça, precisa de jogar sempre como uma ameaça. Seja com o Braga, com o Belenenses ou com o Leixões, todos os jogos, 90 minutos por jogo. Não tem sido o caso.