Os autos do Gil Vicente

José Manuel Ribeiro

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Finanças e Segurança Social já deviam ter dito qualquer coisa sobre a igualdade de tratamento a todos os contribuintes

As reivindicações do Gil Vicente, que reclama um lugar no campeonato por ter as contas em ordem (ao contrário de outros), só têm um ponto fraco: é mais produtivo combater os procedimentos da Liga durante a época, nas assembleias gerais. Discuti-los só quando se desceu de divisão, ou seja, quando o acidente foi connosco e não com o vizinho, é demasiado tarde. A displicência da Liga na fiscalização das finanças dos clubes não começou esta época, nem na anterior, e esse também nunca foi daqueles temas acalorados, que ficam na ordem de trabalhos reuniões a fio até se conseguir consenso. Os clubes têm a vigilância que quiseram ter. Gostam da Liga assim, com as pálpebras semicerradas. Onde a razão do Gil Vicente nem se discute é nas interrogações dirigidas ao Estado. Se a Liga responde aos associados, as Finanças e a Segurança Social respondem aos cidadãos. Não é concebível que as repartições colaborem numa mascarada, ou que passem declarações cuja veracidade dura uma semana, entre outros estratagemas mais ou menos óbvios para toda a gente. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras teve, há pouco tempo, um acesso de hiperatividade por causa de uma série de histórias tolas e de gravidade relativa. Por que não hão de as Finanças e a Segurança Social agir da mesma maneira com um assunto que toca o absolutamente fundamental: a garantia de igualdade de tratamento a todos os contribuintes?