Exclusivo Operação Fora de Jogo: quando o futebol é o crime perfeito

Operação Fora de Jogo: quando o futebol é o crime perfeito
José Manuel Ribeiro

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Os impostos são, de facto, a única (eventual) ponta solta. A maioria das outras transgressões descaradas estão dentro da lei

Fizeram ao treinador do Liverpool uma pergunta sobre o coronavírus e a resposta foi de antologia: "Não percebo como é que, num assunto tão sério, a opinião de um treinador de futebol seja importante (...). Temos de falar das coisas de uma forma correta e não pôr pessoas como eu, sem conhecimento, a comentá-las." Os impostos também podem ser um assunto sério, embora de uma seriedade diferente, e direi que é ainda mais difícil perceber a "ciência" por trás deles.

Quem acompanhou o raide da "Hacienda" espanhola às declarações fiscais dos futebolistas, incluindo Messi e Ronaldo, teve um vislumbre do labirinto legal de ambiguidades, alçapões e termos técnicos que quase acabam a equiparar o crime de fuga aos impostos ao crime de erro ortográfico. O final da Operação Fora de Jogo, que hoje noticiamos, será este: um emaranhado de palavrões, réus cujos delitos ninguém perceberá muito bem e, na melhor das hipóteses, ao fim de um longo pingue-pongue jurídico, talvez uns milhões de euros recuperados.