O taxista Jorge Jesus

José Manuel Ribeiro

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Anda com o Sporting às voltas, sem acertar no endereço. E o taxímetro não pára

O Sporting foi quatro vezes campeão nos últimos quarenta anos. É rigorosamente um título por década. Se violentarmos um bocadinho a matemática, isso quer dizer que arranca para cada campeonato com uma hipótese em dez de o ganhar. Também quer dizer que as distâncias para os adversários são grandes, antigas e variadas. Por exemplo, Bruno de Carvalho trouxe a combatividade, que era claramente uma delas, mas não podia trazer o que ele próprio não tinha: por exemplo, experiência de vida e conhecimento do mercado de transferências, duas deficiências que pesaram muito nas últimas duas épocas e meia, afetadas ora por escaramuças internas suicidárias, ora por um número exagerado de contratações fracassadas ou até mirabolantes. Outra distância conhecida para Benfica e FC Porto. Jorge Jesus seria, supostamente, um atalho para esses quarenta anos de atraso, mas um atalho dispendioso e comprometedor, que, à segunda época, resolveu deitar fora a única desculpa que tinha: a evidente necessidade de tempo para curar uma doença velha de gerações. Para além da prosápia desnecessária, a opção por jogadores experientes e bem pagos, ou seja, por um campeão pronto a vestir, e o dinheiro gasto neles significa que o eventual novo fracasso obrigará a um recomeço, quase do zero. Jorge Jesus é o taxista que anda com o Sporting às voltas pela cidade, sem acertar no endereço. E o taxímetro não pára.