O talento nunca vai a penáltis

José Manuel Ribeiro

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As políticas desportivas podem tentar, mas não assassinam sub-20 como estes

Numa entrevista ao Diário de Notícias, José Couceiro revisita os seus tempos de selecionador sub-21, quando jogou um Europeu com uma equipa feita de João Moutinho, Nani, Varela, Manuel Fernandes e Miguel Veloso. Todos eles dois anos mais novos do que aquele escalão; todos eles vencedores como seniores. O talento não se enterra. Daqui por uns meses, o médio Danilo Pereira será, com grande probabilidade, titular do FC Porto ou do Sporting. Danilo era o pivô da "geração coragem" que discutiu a final do Mundial"sub-20 de 2011 com o Brasil. Ainda antes disso, achou por bem degredar-se em Itália, provavelmente porque acreditou no que aqui dizemos aos miúdos, a toda a hora, em todos os jornais, em todas as tevês e em todas as rádios: que é terrível (e uma vergonha!) serem emprestados a um clube português pequeno ou médio, onde ficam entregues - credo! - aos treinadores que, em toda a Europa, mais paciência têm para a formação. O destino dos ex-juniores que partem para Itália é, como se sabe, muito melhor: Danilo foi emprestado ao Aris de Salonica (cinco jogos) e, na época a seguir, gozou o luxo de 93 minutos pelo Parma. Os Danilos da atual seleção de sub-20 perderam ontem com o Brasil, nos penáltis, mas foram superiores aos brasileiros (ao contrário de 2011). Ajudou muito que, se calhar pela primeira vez na história, tivessem mais horas de voo profissional do que eles, graças às equipas B, que as inteligências andam há meses a pôr em causa porque são "o cancro da II Liga". Mas podemos sossegar: há ali uma dezena de jogadores que nenhum treinador, nenhuma política desportiva e nenhum empréstimo vai conseguir assassinar. Porque o talento, quando existe mesmo, não se decide nos gabinetes. Nem nos penáltis.