O mundo movido a grandes crises

José Manuel Ribeiro

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PREMIUM - Nem para as mais óbvias há a mínima preparação e os resultados são sempre os mesmos. Sobretudo no futebol

O Coronavírus, a gripe das aves, a gripe A, a crise dos subprime, a crise das dívidas públicas, a Al-Qaeda, as várias crises do petróleo, os tweets de Trump, a guerra comercial com a China, a Primavera Árabe, o Brexit, os escândalos da FIFA, do Comité Olímpico Internacional, do ex-presidente da UEFA: construímos um mundo ultrassensível, que gera pequenas e grandes catástrofes com frequência mas não aprende a prevenir-se, nem a resolvê-las, nem a querer fazê-lo, a não ser penalizando duas vezes os que mais sofrem com elas.
As epidemias não eram uma consequência imprevisível do novo mundo globalizado - pelo contrário, eram a primeira sequela à vista -, tal como a desregulação dos mercados financeiros não era um convite à honradez da banca ou a eleição de políticos populistas e desonestos não é um efeito surpreendente da insanidade que são os monopólios da comunicação mundial pelo Facebook e pelo Google.

Da mesma inércia tola nasceu a rédea solta da FIFA, que gerou a rédea solta da UEFA. Num planeta que produz bastante mais do que precisa, não devia ser terrível que uma atividade tão secundária como o desporto desligasse um mês ou dois. Dirão: bem feito, que assim o futebol aprende, mas não. O resultado comum de todas estas crises é que elas beneficiam sempre quem tem bolsos mais fundos para lhes resistir, mesmo à revelia das próprias crises. Foi a partir de 2008, em pleno descalabro europeu, que as grandes ligas aceleraram a fuga às ligas médias. Nem ao microscópio, há aqui boas notícias para os portugueses.