Premium O mundo ideal dos comissionistas

Os clubes de futebol nunca foram tão frágeis, por muito dinheiro que tenham

A oferta do Mónaco por Danilo demonstra só que a verdade é perigosa e que o controlo da comunicação é tão imprescindível para os clubes de futebol como eles fazem parecer. Não no ponto de vista do jornalista, claro, mas do ponto de vista do clube que vê um jogador-chave assediado a partir de um incidente interno trazido a público.

Em 2019, ano da (muita) graça do Senhor, os clubes de futebol são frágeis como porcelana, do Tondela ao Paris Saint-Germain, que pagou 222 milhões de euros por Neymar, mais 30 milhões de salário anual, apenas para ser regularmente achincalhado e pressionado pelas gincanas da superestrela, em quem já gastou um terço de Vale do Lobo. Pode retaliar, como fez o Real Madrid com Bale, ontem mesmo censurado pelo ex-selecionador galês John Toshack por ainda não falar uma palavra de espanhol ao fim de seis anos no país. Mas retaliar significa depreciar, baixar o preço, e até para o Real Madrid cem milhões de euros é muito dinheiro (o negócio recente com o Jiangsu já ia fazer-se por 20 milhões). Podemos juntar as patetices de Pogba, no Manchester United, ou o boicote de Mauro Icardi, no Inter de Milão. Ou falar nos jogadores que deixaram expirar os contratos no FC Porto, no Atlético de Madrid ou no Paris Saint-Germain.